Arquivo de novembro, 2009

2005, Papai Noel em depressão; 2009, Natal na Terra de Ninguém

Posted in Cultura, Educação, espiritualidade, Estado e Igreja, Identidade, Iniciativas pela Paz, Liberdade Religiosa, Manifestações Religiosas, preconceito e discriminação, Senso Religioso, Unidade / Pluralidade with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , on 28/11/2009 by ehlsinore

"Papai Noel Depressivo" de Dennis Cox. A imagem ilustrativa não faz parte do artigo original ao lado

Papai Noel em depressão

“Quem, no Brasil, convidado a assistir a um show de Natal com elenco amador numa igreja evangélica de província, seria louco o bastante para ir lá com a expectativa de encontrar um espetáculo artisticamente relevante? Pois bem, acabo de sair da Assembléia de Deus do West End de Richmond, Virginia, ainda mal refeito de um choque cultural. Sincerely Yours, comédia musical natalina com script de Kathy Craddock baseado numa idéia de Pat Bragg e equipe, música e regência de Ron Klipp e direção de Bob Laughlin, é um espetáculo digno da Broadway, mais caprichado do que tudo o que já vi nos palcos brasileiros. São mais de duzentos atores cantando, dançando e fazendo acrobacias, numa coreografia complexíssima dirigida por mão certeira. A platéia vibra com a ação rápida, e a música entusiasticamente alegre se impregna na sua alma deixando uma impressão inesquecível.

SÁTIRA – O enredo é uma sucessão de situações cômicas absurdas, no melhor estilo Frank Capra, concebidas a partir da pergunta: como reagiria Papai Noel (Santa Claus, para os americanos) diante da atual campanha dos ateus, materialistas e anticristãos para escorraçar o Natal da vida pública? Sátira de um conflito muito real que põe em risco o destino de toda a sociedade americana, a história começa na véspera do Natal, com os ajudantes do velhinho, na maior excitação, enchendo o trenó de presentes e esperando a partida para mais uma viagem através do mundo. Mas o chefe não aparece: está trancado em casa, mortalmente deprimido, diante de uma pilha de cartas de meninos e meninas modernizados, insolentes, que desprezam o nascimento de Jesus e só querem saber de brinquedos caros – um deles prefere até sua parte em dinheiro. Um show de egoísmo e insensibilidade. Dar presentes, nessas circunstâncias, só serve para fomentar a vaidade e o orgulho. Sentindo-se um corruptor involuntário da infância, Papai Noel se condena: “Todo o trabalho da minha vida foi um tiro que saiu pela culatra”.

DOUTORZINHO – A sra. Claus tenta animá-lo, juntando um grupo de crianças para fazer uns afagos no ego do velho, mas as crianças só dão gafes freudianas e reforçam a impressão de que a infância está mesmo estragada. Erguendo placas para formar o nome “Santa”, conseguem até trocá-lo por “Satan”. Papai Noel afunda no total desespero. A esposa, atendendo à sugestão de tagarelas da vizinhança, vai ao cabelereiro se embonecar toda para ver se desperta algum ânimo no marido, mas enquanto isso ele é removido a um hospital pelo Social Security. Em vão ele protesta que não há nada de errado com ele, que o problema é com as crianças. Em cenas de uma comicidade alucinante, o paciente é submetido a todas as humilhações radiológicas, dietéticas, sexológicas e psiquiátricas de que é capaz a medicina moderna, personificada num doutorzinho de dez anos de idade. Quando volta, com a bunda doendo das injeções, Santa Claus nem repara no penteado da mulher, que então lhe passa um sabão em regra, acusando-o de ter perdido seu antigo entusiasmo visionário e se transformado num egoísta senil, rabugento, intoxicado de autopiedade, como o Scrooge de Conto de Natal de Dickens (leitura proibida em escolas “politicamente corretas”). Quanto mais ela fala, mais o marido piora. No fim, ele está decidido: não vai a parte alguma, as crianças do mundo que se danem. A sra. Claus resolve então entregar ela própria os presentes, mas os ajudantes não parecem considerá-la muito convincente nas funções de Papai Noel.

CONSPIRAÇÃO – Nesse ínterim, um investigador nomeado pela comunidade descobre que por trás de tudo há uma conspiração para desmoralizar o Natal sob argumentos hipócritas. A trama vem de uma ONG internacional do crime que reúne os piores tipos de todos os tempos: Lex Luthor, o Pinguim, Cruela, a Rainha Malvada, o Capitão Gancho e outros da mesma laia – uma caricatura cruel da ACLU, a União Americana dos Direitos Civis, cujo nome encobre uma quadrilha de puxa-sacos de Saddam Hussein, Bin Laden, Fidel Castro e Hugo Chávez, empenhados em proibir árvores de Natal, monumentos religiosos e qualquer menção pública ao nome de Deus (exceto, é claro, para os muçulmanos). Só que os bandidos da peça foram mais inteligentes que a ACLU: em vez de atacar diretamente o Natal, empreenderam contra ele uma campanha de desinformação, trocando as cartas de crianças para Papai Noel por mensagens forjadas para desorientar o velhinho.

Mas, antes mesmo que lhe chegue a revelação da trama, ele recebe uma carta atrasada, que escapou à falsificação geral. O remetente, Aaron Williams, de Richmond, Virginia, não quer nada para si: pede apenas algum consolo para sua mãe, entristecida pela morte de um cãozinho doméstico. Ao ler as palavras de despedida, “Sincerely yours“, “sinceramente seu”, Papai Noel se dá conta de que o sentido do Natal não está perdido enquanto subsistir numa só alma viva. É a lembrança de um Deus que se oferece em sacrifício a cada pessoa numa mensagem de amor: “sincerely yours“. Reencorajado pelos bons sentimentos do menino, ele já começa a voltar atrás na sua recusa de viajar, quando chegam os mensageiros do detetive e, contando tudo, lhe mostram que, por trás da imagem de um mundo totalmente materialista e descristianizado, fabricada de propósito pelos conspiradores para denunciá-la em seguida e culpar o capitalismo, ainda existem milhões de Aarons Williams. O sr. e a sra. Claus partem então para entregar os presentes, e a primeira casa em que param é, evidentemente, a de Aaron. Junto à cama do menino adormecido há um presépio que se transfigura em realidade. Jesus Cristo está nascendo naquele momento.

Já é o terceiro Natal em que a Assembléia de Deus do West End, com uma nova peça a cada ano, mostra o poder da sua inventividade teatral e musical. Vale a pena uma espiada no site do grupo, http://www.gloriouschristmasnights.com”(*).

(Olavo de CARVALHO, Diário do Comércio, 05/XII/2005)**

Observações nossas ao artigo acima

(*) Natal na Terra de Ninguém – No endereço indicado achar-se-á a produção da performance natalina da West End Assembly of God para 2009, No Man’s Land (Trégua de Natal), produção épica inspirada na armistício informal, pois sem o consentimento do Alto Comando de cada exército, ocorrido no front ocidental, no Natal do primeiro ano da I Grande Guerra (1914) entre soldados franceses, belgas, britânicos e alemães, quando as trincheiras e os fogos de artilharia cederam à troca de presentes e às partidas de futebol embalados por um multilingue Noite Feliz (veja artigo sobre o evento em Grandes Guerras e nos Arquivos do “The Times matéria publicada no jornal londrino em 01jan1915 sobre o ocorrido).

Charge da época alusiva ao surpreendente armistício natalino de 1914.

** Vide em “comentário” abaixo.

Homenagem aos 50 anos de Villa Lobos

Posted in Brasilidade, Cultura, Etnicidade, Identidade, Música with tags , , , , , , , , , , on 24/11/2009 by ehlsinore

Heitor Villa-Lobos em foto de Arnold Newman (maio de 1959)

Trenzinho Caipira é uma composição do maestro Heitor Villa Lobos (Rio de Janeiro, RJ, 05.03.1887 – Rio de Janeiro, RJ, 17.11.1959), parte integrante da sua obra Bachianas Brasileiras nº 2.  A peça se caracteriza por imitar o movimento de uma locomotiva através dos instrumentos da orquestra.

À melodia o músico Edu Lobo fez um arranjo  e acrescentou-lhe letra  a partir da adaptação  de um poema de Ferreira Gullar (originalmente integrado em seu Poema Sujo), acolhendo a indicação do próprio poeta, expressa em seus versos,  de tal acompanhamento musical, e nessa forma passou a ser denominada…

Trenzinho do Caipira:

“Lá vai o trem com o menino / Lá vai a vida a rodar / Lá vai ciranda e destino / Cidade noite a girar / Lá vai o trem sem destino / Pro dia novo encontrar / Correndo vai pela terra, / vai pela serra, vai pelo mar / Cantando pela serra do luar/ Correndo entre as estrelas a voar / No ar, no ar, no ar “

Abaixo a peça original interpretada pela Orquestra Sinfônica de Londres sob a regência de Sir Eugene Goosens.

19/11 (qui.), dia da Bandeira, na UFF também é dia do FALA FAVELA

Posted in Alteridade, Cultura, Dica, Diversidade, Educação, Identidade, Inclusão Social on 15/11/2009 by ehlsinore
A diversidade da cultura popular niteroiense e carioca se apresenta na Universidade Federal Fluminense (UFF).

O I Festival Cultural "Fala Favela" é resultado do projeto de extensão universitária da UFF "Curso de Formação de Agentes Culturais Populares".