Paixão pela liberdade e pelo bem comum

Panfleto do Movimento Católico COMUNHÃO E LIBERTAÇÃO sobre as eleições de 2010

"Cristo ensina Nicodemus" de Jacob Jordaens (1593-1678).

“O difundir-se de um relativismo cultural confuso e de um individualismo utilitarista e hedonista enfraquece a democracia e favorece o domínio dos poderes fortes. É preciso recuperar e revigorar uma sabedoria política autêntica; ser exigente no que se refere à própria competência; servir-se criticamente das pesquisas das ciências humanas; enfrentar a realidade em todos os seus aspectos, indo além de qualquer reducionismo ideológico ou pretensão utópica; mostrar-se aberto a todo o diálogo e colaboração autênticos, tendo presente que a política é também uma complexa arte de equilíbrio entre ideais e interesses, mas sem jamais esquecer que a contribuição dos cristãos só é decisiva se a inteligência da fé se torna inteligência da realidade, chave de juízo e de transformação.”

(Bento XVI, Pontifício Conselho para os Leigos, 21/05/2010)

“As circunstâncias pelas quais Deus nos faz passar são fator essencial e não secundário da nossa vocação, da missão a que Ele nos chama. Se o cristianismo é anúncio do fato de que o Mistério se encarnou num homem, a circunstância pela qual alguém toma posição a esse respeito, frente a todo o mundo, é importante para a própria definição do testemunho.”

(Luigi Giussani, L’uomo e il suo destino. Gênova, Marietti, 2002, p. 63)

Cada circunstância é uma provocação que nos solicita a considerar o que temos de mais caro na nossa vida.

Por causa disso, tudo nos interessa! Também a política, que é o instrumento que os homens têm para juntos alcançarem o bem comum, o bem para todos.

Busquemos nestas eleições reacender esse desejo de bem primeiro em nós, cada vez mais tomados pelo

Ícone bizantino da Santíssima Trindade

individualismo. E depois trabalhemos para construir relacionamentos com pessoas (políticos e não) que procurem esse mesmo horizonte, que sejam pessoas desejosas de servir a um povo e não aos próprios interesses.

A primeira vitória nestas eleições é que comece em nós uma inquietação – um não ficar tranquilos – não causada pela raiva ou pelo mal-estar decorrente da falta de uma classe política adequada, mas pelo desejo de que os homens possam encontrar uma experiência de bem. Que esse desejo nos coloque ao trabalho pessoalmente, não delegando-o a outros, mas construindo onde quer que estejamos um pedaço de mundo novo.

1) Não pedimos a salvação à política, não é aí que buscamos a esperança para nós e para os outros. A tradição da Igreja sempre indicou dois critérios ideais para julgar qualquer autoridade civil e qualquer proposta política:

a.  A libertas Ecclesiae. Um poder que respeita a liberdade de um fenômeno tão sui generis como a Igreja é também tolerante com qualquer outra autêntica agregação humana. O reconhecimento do papel público da fé e da contribuição que ela pode dar no caminho dos homens é, portanto, garantia de liberdade para todos, não só para os cristãos.

b.  O “bem comum”. O poder, como serviço ao povo, defende as experiências nas quais o desejo do homem e a sua responsabilidade podem crescer em função do bem comum, através da construção de obras sociais e econômicas, segundo o princípio da subsidiariedade, sabendo que nenhum programa poderá garantir a realização do bem comum em termos definitivos, por causa do limite intrínseco a toda tentativa humana.

2) Por essa razão, damos nossa preferência a quem promove uma política e modo de ser do Estado que favorece a “liberdade” e o “bem comum”, e que por isso pode sustentar a esperança do futuro, defendendo a vida, a família, a liberdade de educar e de realizar obras que encarnem o desejo do homem. Fazemos isso num momento histórico que exige não desperdiçar o voto, para não acrescentar mais confusão ao que já está confuso.

Pantocrator da Univap, em São José dos Campos, inspirado no tímpano de Vezelay, da França, ladeado pelos pássaros da mata atlântica (inspirados nas ilustrações de Frederico Lencioni) encontrados na região do Vale do Paraíba, 2003.

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