Sérgio Cabral e o aborto

Aborto: publicado em 24/X/2007 às 08h08m, Governador Sérgio Cabral respondendo ao “G1”, portal de notícias da globo.com, pra ver a íntegra da entrevista clique

(Cabral defende aborto contra violência no Rio de Janeiro)

G1 – Mas o Brasil não consegue dar conta do mosquito da dengue. Teremos condições de resolver essa questão das drogas?

Cabral – O Brasil não dá conta do câncer. Não dá conta dos que necessitam de CTIs. Não dá conta de um monte de coisas. Se for partir para isso… São duas questões que têm a ver com violência: uma é a questão das drogas que é mais internacional. O Brasil deve contribuir. A outra, é um tema que, infelizmente, não se tem coragem de discutir. É o aborto. A questão da interrupção da gravidez tem tudo a ver com a violência pública. Quem diz isso não sou eu, são os autores do livro “Freakonomics” (Steven Levitt e Stephen J. Dubner). Eles mostram que a redução da violência nos EUA na década de 90 está intrinsecamente ligada à legalização do aborto em 1975 pela suprema corte americana. Porque uma filha da classe média se quiser interromper a gravidez tem dinheiro e estrutura familiar, todo mundo sabe onde fica. Não sei por que não é fechado. Leva na Barra da Tijuca, não sei onde. Agora, a filha do favelado vai levar para onde, se o Miguel Couto não atende? Se o Rocha Faria não atende? Aí, tenta desesperadamente uma interrupção, o que provoca situação gravíssima. Sou favorável ao direito da mulher de interromper uma gravidez indesejada. Sou cristão, católico, mas que visão é essa? Esses atrasos são muito graves. Não vejo a classe política discutir isso. Fico muito aflito. Tem tudo a ver com violência. Você pega o número de filhos por mãe na Lagoa Rodrigo de Freitas, Tijuca, Méier e Copacabana, é padrão sueco. Agora, pega na Rocinha. É padrão Zâmbia, Gabão. Isso é uma fábrica de produzir marginal. Estado não dá conta. Não tem oferta da rede pública para que essas meninas possam interromper a gravidez. Isso é uma maluquice só.

Agora, com a maior desfaçatez, só por estarmos em ano eleitoral, vem disfarçar para enganar o eleitor, dizendo-se contrário ao aborto. Ora, como já tive ocasião de dizer em um comentário 9 entre 10 abortistas dizem que mulher alguma é a favor do aborto.

Logo a seguir vem com a conversa fiada de transformar o assunto em questão de saúde pública, alinhando-se à argumentação falaciosa do ministro da (des)Saúde José Gomes Temporão, quando estamos a tratar de uma questão de vida ou morte, isso sim!

Por fim, visando atrair pra si o eleitorado feminino, esgrime o argumento  do protagonismo da mulher nesse assunto, maldisfarçando a surrada ideia de se tratar o embrião/feto uma simples extensão do corpo da mulher tal qual um braço ou perna, o que não corresponde à verdade dos fatos, pois a medicina através das cirurgias intra-uterinas já trata mãe e filho(a) antes do parto como dois corpos distintos. Outrossim, a vida resultante no útero é fruto da ação de um homem e de uma mulher e devem ambos serem chamados igualmente à responsabilidade. O pátrio poder é algo partilhado, a princípio, por pai e mãe, mas nem um dos dois, por conta disso, tem poder de decidir pela morte de quem gerou.

Claro que carregar uma vida por nove meses em seu ventre traz sobre a mulher uma responsabilidade especial, atenção e carinho: toda a ação do mundo exterior sobre essa frágil vidinha, todo alimento que a ela chega e toda proteção se dá através da mãe. Entretanto, nada disso lhe concede, em momento algum, o direito de decidir sobre se essa vidinha deve prosperar ou não. Cabe a ela e a todos a sua volta unicamente o cuidado para venha a se desenvolver o mais amorosa e saudavelmente  possível.

Já o mesmo não se pode dizer sobre as sequelas, das mais diferentes ordens, da prática do aborto: em meio às melhores ou piores condições, isso sim, será a mulher quem terá de conviver para muito além de nove meses com um procedimento sempre traumatizante, trauma esse que o Governador Sérgio Cabral parece desconhecer quando tenta nos passar a ideia de  que tudo depende do ambiente onde se faça o aborto.

Para o vídeo no “UOL notícias”, de 26/VIII/2010, com a pífia tentativa do  governador em disfarçar a sua opinião sobre o assunto clicar em “Não sou favorável ao aborto”, afirma Cabral

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