Dilma e o PT se esforçam por desvincularem as suas imagens de defensores do aborto

 

 

Primeira página da edição da "Folha de S. Paulo" de 05/X/2010. A imagem foi retirada do blog do Richard Widmarck, onde o blogueiro dá destaque às manchetes relacionadas ao resultado das urnas no 1º turno para criticá-las uma por tratar o que considera um aspecto marginal da reunião da candidata Dilma Roussef com os governadores aliados eleitos, outra por apontar o que apelida de uma fonte de boataria. Ocorre que, independente das interpretações, as manchetes retratam fatos: 1) o PT e a direção da campanha de Dilma, nesta primeira semana do 2º turno, têm se esforçado, por afastar o seu nome da defesa da descriminalização do aborto e 2) o arco de alianças que sustenta a candidatura de Dilma elegeu para o Congresso uma bancada capaz de promover mudanças na Constituição, algo que o próprio Lula não dispusera em seus oito anos de mandato.

 

O Globo, 10/X/10, FRASES DA SEMANA em uma perspectiva histórica:

“Olha, eu acho que tem que ter descriminalização do aborto. Hoje, no Brasil, acho um absurdo que não haja.”

(Dilma Roussef em outubro de 2007 durante sabatina no jornal “Folha de S. Paulo”.)

“Duvido que alguém se sinta confortável ao fazer um aborto. Agora, isso não pode ser justificativa para que não haja a legalização. O aborto é uma questão de saúde pública.”

(Dilma Roussef em 2009 à revista “Marie Claire”.)

“Pessoalmente sou contra o aborto. Até porque seria muito estranho que, quando há uma manifestação de vida no seio da minha família, porque meu neto acabou de nascer, eu defendesse posição a favor do aborto.”

(Dilma Roussef em 8 de outubro de 2010.)

Veja os vídeos: Dilma e o aborto.

Completa-se a metamorfose de Dilma na sanha por ganhar o 2º turno das eleições. Em 09/X/2010, ao visitar o Amparo Maternal (conhecida como Casa da Mãe Solteira), instituição filantrópica voltada para o atendimento de adolescentes e jovens grávidas de baixa renda, na zona sul

 

Fundado em 1939 por um grupo de pessoas lideradas pela franciscana Madre Marie Domineuc, pelo médico e professor Dr. Álvaro Guimarães Filho e pelo Arcebispo de São Paulo Dom José Gaspar de Alfonseca e Silva, o Amparo Maternal nasceu com a ideologia de albergar gestantes que não tinham um local digno para dar à luz, muitas delas vivendo nas ruas da cidade de São Paulo.

 

de São Paulo (SP),  declarou:

“Não vou liberar o aborto. Eu quero dizer que não enviarei nenhuma alteração na legislação em hipótese alguma como o governo Lula durante 8 anos não enviou. Eu vim aqui como afirmação da política de saúde e assistência para a mulher gestante desassistida, grávidas de 4 ou 5 meses que se sentem abandonadas e muitas deixam os filhos.” (Estado de S. Paulo, 10/X/10)

Apesar da “Folha de S. Paulo” defender a mesma tese do aborto como assunto de saúde pública (o que se trata de um eufemismo pra fazer avançar a legalização do aborto), não pode negar as idas e vindas de Dilma Roussef sobre o assunto. Veja trecho do editorial de quarta-feira, 6 de outubro de 2010:

Opinião flexível (Editorial “Folha de S. Paulo”)

“Uma vez que é impossível reescrever história de Erenice na Casa Civil, PT tenta mudar visão sobre aborto em busca de votos para Dilma Rousseff.

Uma pequena porcentagem de votos fez com que escapasse das mãos da petista Dilma Rousseff a chance de vencer a eleição presidencial no primeiro turno.

Ao impacto causado pelo escândalo envolvendo Erenice Guerra, principal auxiliar de Dilma na chefia da Casa Civil, somou-se nos últimos dias da campanha o peso de questões como a do casamento gay e da descriminalização do aborto.

Eleitores contrários a essas propostas teriam identificado em Marina Silva uma representante mais confiável do que seria Dilma Rousseff.

Uma vez que é impossível, apesar dos esforços em contrário, reescrever a história da passagem de Erenice Guerra pela Casa Civil, lideranças do PT correm atrás do prejuízo eleitoral tratando de reescrever as posições do partido no que diz respeito ao aborto.

‘Foi um erro ser pautado internamente por algumas feministas’, declarou o secretário de Comunicação do partido, André Vargas, num pânico eleitoral tardio, e em meio ao vale-tudo de sempre.

Entre essas “feministas” minoritárias, seria preciso incluir a própria Dilma Rousseff, que em 2007 se declarava favorável à descriminalização do aborto: “No Brasil, é um absurdo que não haja”.

Com a campanha, o discurso de Dilma Rousseff moderou-se, coincidindo com a tese oficial do ministério da Saúde do governo Lula: trata-se de encarar a questão da descriminalização do aborto não propriamente do prisma religioso, mas como um problema de saúde pública.

(…)”

E o Serra,

o que pensa sobre a duplicidade dilmista?

“No vídeo divulgado em 18 de setembro, José Serra informa que não mudou de ideia sobre a questão do aborto. Na campanha presidencial de 2002, por exemplo, o candidato do PSDB avisou que não pretendia modificar a legislação em vigor. ‘Não sou a favor da legalização do aborto’, reiterou. ‘Se você liberar isso, a margem para o abuso vai ser uma coisa descomunal’.

Passados oito anos, não viu motivos para mudar de opinião. ‘Eu não mexeria na atual legislação, que permite aborto no caso de estupro e risco de vida da mãe’, declarou em 21 de junho. ‘Considero o aborto uma coisa terrível. Num país como o nosso, seria liberada uma verdadeira carnificina’.” (Coluna do Augusto Nunes, 05/X/2010)

José Serra no debate promovido pela REDE APARECIDA e TV CANÇÃO NOVA no dia 23/VIII/2010, no auditório da Faculdade Santa Marcelina (onde também compareceram os candidatos Marina Silva e Plínio de Arruda Sampaio, tendo se ausentado a candidata Dilma Roussef):

Em mais um lance da “convertida” Dilma Rousseff:

(Brasília, Agência Reuters, 13/X/2010) “Lideranças evangélicas reunidas nesta quarta-feira com a candidata à Presidência, Dilma Rousseff, afirmaram que a petista se comprometeu a divulgar um documento com a garantia de não enviar ao Congresso projeto prevendo a legalização do aborto e nem a atuará para regulamentar o casamento entre homossexuais [nota do TorreLeste: não haveria confusão aqui  entre casamento e união civil?].

De acordo com os presentes, Dilma, que não concedeu entrevista após o encontro, vai divulgar o documento até sábado. Outra carta, a ser redigida pelos líderes religiosos, deverá expressar apoio à petista.

‘Nós tratamos, todos nós líderes evangélicos, de desmistificar todos esses boatos [nota do TorreLeste: boatos?!] que hoje estão penetrando as igrejas e enganando pessoas crédulas e bem intencionadas’, disse o senador reeleito Marcelo Crivella (PRB-RJ) a jornalistas após o encontro realizado em um hotel de Brasília.

(…) Segundo Crivella, na eventualidade de o Congresso tomar alguma iniciativa em alguns destes temas polêmicos, Dilma, como presidente, vetaria.”

Que todas essas lideranças religiosas, ao resolverem mergulhar de cabeça nessa aposta (pressurosas em manter o seu espaço político), só não venham dizer que o apoio da candidata Dilma anteriormente manifestado em relação à descriminalização do aborto não passava de boataria. Por favor, está tudo exaustivamente comprovado.

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