O que esconde a carta de Dilma Rousseff sobre aborto e liberdade religiosa? Recurso para combater ‘central de boatos’?

“A candidata do PT à sucessão presidencial, Dilma Rousseff, disse que a carta que divulgou na tarde de hoje, na qual se compromete a manter a legislação atual referente ao aborto, tem como objetivo combater o que chamou de ‘central de boatos’ supostamente organizada pelo PSDB contra sua candidatura. ‘A carta é uma manifestação e dá aos pastores que apóiam a minha candidatura os instrumentos necessários para combater a central de boatos que assola o País’, afirmou.

(…)

’A carta só serve para uma coisa muito elementar: para que a verdade triunfe’, afirmou a petista. ‘Não se pode instigar o ódio religioso para se ganhar eleição. Isso é algo medieval’, criticou ela, referindo-se a uma manifestação da mulher do candidato José Serra (PSDB), Mônica, de que Dilma é a favor da ‘morte de criancinhas’.”

(Na íntegra: 15/X/2010,19h53m, O Estado de S. Paulo.)

Pois bem, essas considerações da candidata Dilma Rousseff resumem bem o texto e o espírito da carta, a qual analisamos agora e  cuja íntegra acha-se adiante exposta.

Não pertenço ao PSDB e nunca votei no PSDB (se Deus assim o permitir dia 31 de outubro será a 1ª vez), e tudo aqui divulgado, como também por outros amigos e conhecidos sem qualquer vínculo com o PSDB, o foi de modo totalmente independente como cristãos compromissados com valores e ideais enraizados no Evangelho.

Onde está o boato?

Não é e nunca foi boato que essa senhora, candidata a presidente, Dilma Rousseff, apresentava-se a favor da descriminalização ou da legalização do aborto. Isso é de sobejo comprovado, basta ter olhos para ver e ouvidos para ouvir.

Também é um fato que o PT e movimentos a ele ligados, em diversos documentos oficiais, também assim se manifestaram. Apesar dessa realidade não deixei de votar para deputado federal em um candidato do PT, no caso Alessandro Molon, pois a lei de fidelidade partidária faculta em casos como esse a objeção de consciência para não seguir deliberações coletivas do partido (*).

[(*) observem, entretanto, não ser exatamente o caso previsto no Estatuto do PT, pois conforme o seu artigo 13, inciso XV, pode o filiado, grifos nossos, “excepcionalmente, ser dispensado do cumprimento de decisão coletiva, diante de graves objeções de natureza ética, filosófica ou religiosa, ou de foro íntimo, por decisão da Comissão Executiva do Diretório correspondente ou, no caso de parlamentar, por decisão conjunta da respectiva bancada, precedida de debate amplo e público”; ou seja pelo Estatuto do PT só há liberdade de consciência se o partido permitir. Vide ESTATUTO DO PARTIDO DOS TRABALHADORES]

Molon é um católico consciente dos valores cristãos, sério e ético, coerente, amplamente conhecido de seu eleitorado e que em não apenas uma vez seguiu contrário a todo o resto da bancada do PT na Assembleia Legislativa enquanto deputado estadual. Deus o mantenha assim. Esse é o patrimônio que o tornou o deputado federal do PT mais votado no Rio de Janeiro.

Tal não é o caso da candidata Dilma Rousseff. Ninguém sabia, e creio que não se possa dizer efetivamente ainda que alguém o saiba: quem é essa senhora e o que ela pensa efetivamente? Tirada do bolso do colete, imposta pelo presidente Lula goela abaixo do seu próprio partido, contra a vontade de vários segmentos internos e sem maiores debates no PT. Nunca disputou eleição alguma e é uma total desconhecida, a grande incógnita, já se apresenta com pretensões a presidência da República.

Ela tenta posar agora de católica e cristã, crente nesses valores, mas fala do que não entende e não acredita. É tão péssima nisso que chega a afirmar que, textualmente, mais que “em Deus, acredito na força dessa deusa mulher que é Nossa Senhora” [?!]. Nada contra um não cristão candidato a presidente da República, existem pessoas sérias, honestas e éticas não cristãs, mas um candidato que esforça por criar um mistificação a seu respeito? Querer passar algo que não é e do qual não entende minimamente, pode-se confiar e votar nele?

Veja o momento no qual, entrevistada por Datena no programa “Brasil Urgente” da Bandeirantes, Dilma Rousseff diz essa tremenda asneira:

Entretanto, quando algum eleitor consciente se empenha em ir a fundo, buscando desvendar a face da candidata, logo o cenho da senhora Dilma Rousseff se fecha e passa a vituperar contra tudo e contra todos, destilando preconceitos.

Quais os preconceitos manifestados na Carta-manifesto de Dilma?

Um, bem básico: acusa de “medieval” quem instiga ódio religioso. Então me dirão, Dilma é economista, não é historiadora e nem mesmo era do tempo em que sentada nos bancos escolares podia usufruir de professores bem instruídos no combate ao preconceito da Idade Média como era das trevas, que dizer algo assim se trata de um tremendo erro histórico. Tudo bem, concordo, relevemos esse aspecto.

Não se pode, porém, aceitar que alguém com um mínimo de raciocínio atribua como próprio a um só período histórico, no caso o medieval, a existência de ódios religiosos. Tal realidade, infelizmente, podemos encontrá-la em qualquer quadrante da história e, se examinarmos com atenção, ainda poderemos constatar que tais ódios nunca são criados pela própria religião e sim pela sua instrumentalização política.

Pode-se ainda perguntar o porquê dessa referência desabrida ao período medieval: seria um ataque velado à Igreja Católica costumeiramente identificada com tal época? Revelaria um desconforto ao seu recentíssimo comportamento devoto? Mas nunca houve um pedido para que assim ela agisse, apenas se desejava que revelasse claramente as suas intenções e idéias.

Há ainda um segundo preconceito de fundo que diz respeito às pessoas que têm uma vida religiosa efetiva e a levam a sério em suas vidas. Estado laico não é estado laicista. O laicismo persegue as religiões, as amordaça, busca impedir as suas manifestações públicas. Já o Estado laico, não. Permite ele o convívio entre as religiões e entre quem é religioso e os agnósticos, ateus, espiritualistas e indiferentes. O Estado laico não assume uma religião como sendo a sua oficial ou mesmo qualquer credo, incluído nisso o credo ateísta, como um credo particular ao qual dá chancela oficial. Nele, no Estado laico, não há cidadãos de 2ª categoria, todos podem se manifestar livremente. E manifestar livremente implica dizer as razões que os movem em determinada questão, quais são os critérios de discernimento.

Por que só os sem religião podem apresentar as suas razões e critérios? Por que os com religião deveriam ocultar uma parte de seu ser? A candidata Dilma Rousseff exibe tal atitude preconceituosa: opinião de um religioso só vale quando coincide com a sua, quando é para apoiá-la. Se discorda é porque estaria destilando ódio religioso, num esforço de confinar os discordantes em um gueto e amordaçá-los.

E para dar mais força ao seu argumento vem falar em liberdade religiosa como se em algum momento ela tivesse sido ameaçada. Alguma religião porventura foi atacada? Onde? Quando? Como? Desde quando o abortismo tornou-se uma religião?

Configurar o debate sobre aborto como um conflito entre religiões é um exercício de mistificação cujo objetivo, além de distrair a atenção das principais questões, é poder granjear, à candidata Dilma Rousseff o falso título de paladina da liberdade religiosa. Trata-se de uma bandeira mentirosa, inventando um problema que nunca houve durante a campanha e que revela o seu verdadeiro espírito intolerante.

Há ainda um sofisma que precisa ser desmontado. Dizia Dilma, e ecoam os seus adeptos, não ser ela a favor do aborto, mas apenas a favor da descriminalização do aborto. Seriam duas coisas completamente distintas. Ora, para quem milita na luta pela vida não é de hoje, combatendo todas as manifestações de cultura morte, entre elas o aborto, só pode é sorrir diante de um argumento tão pueril.

Sempre o que se tratou na luta em torno do aborto, o que definiu a existência claramente de dois campos, era um que se autodefinia, em inglês, como pro choice, a favor da mulher ter total liberdade de escolha em definir se faz o não aborto, e daí a necessidade de legislações permissivas que o descriminalizassem, e outro lado autoproclamado pro life, a favor de manter e ampliar as legislações restritivas ao aborto, ou ao menos criar mecanismos de defesa ao indefeso (vide o Estatuto do Nascituro), pois não cabe ao ser humano, ainda mais diante de um inocente e indefeso, escolher entre matar ou não matar. A vida humana, pois, deve ser preservada, em sua plenitude. Daí que quando se diz ser alguém a favor do aborto, subentende-se se tratar de alguém a favor da sua liberalização legal ou descriminalização.

Não nos enganemos com a carta.

A carta é uma coleção de afirmações genéricas. No afã de apresentar algo de concreto sem se comprometer muito, inclui um o PNDH3, mas apenas pra dizer o que todos já sabem: “está sendo revisto”. E, verdade seja dita: bem antes dos embates eleitorais a reação da sociedade aos seus absurdos e inconstitucionalidades foi tão grande que o Governo Lula se viu obrigado a assumir a sua revisão.

Aspectos positivos na carta poderiam ser indicados dois: 1º) consolida o recuo da candidata em não pretender descriminalizar o aborto e 2º) sobre o PLC 122, afirma jamais sancionar “artigos que não violem a liberdade de crença, culto e expressão e demais garantias constitucionais individuais”.

Todavia, mesmo aqui, impõe-se relativizar tais vitórias. O primeiro revela-se uma faca de dois gumes. De um lado, caso essa declaração seja traduzida em atos na eventualidade de sua eleição, colocaria a hoje candidata em rota de colisão contra os diversos grupos que militam na direção de ampliar a possibilidade de realização de abortos no Brasil.

Por outro, tal compromisso pode servir para se ir também contra a luta de quem é verdadeira e efetivamente a favor da vida e hoje, por exemplo, batalha pela aprovação do Congresso do Estatuto do Nascituro, o qual náo modifica a legislação vigente, mas busca criar reais condições de sobrevivência e qualidade de vida para o nascituro, mesmo em casos de estupro.

O imaginado segundo aspecto positivo, em relação à PLC 122, não passa do reconhecimento do óbvio, como o próprio texto da carta assume. Permitir, com a desculpa de homofobia, a criminalização de quem opina, seguindo a Bíblia, ser a homossexualidade um pecado (o que não implica em ódio aos homossexuais se lembrarmos que o Evangelho reitera como atitude adequada não compactuar com o pecado, mas amar o pecador), redundaria em inúmeras ações de inconstitucionalidade, pois são garantidas pela nossa Carta Magna a liberdade de crença, culto e expressão.

Assim, não nos iludamos.

Movida por interesses eleitoreiros, premida pela ida da candidata ao segundo turno, a tão prometida carta se esforça por lançar uma cortina de fumaça sobre as questões polêmicas que diz enfrentar. Além de não enfrentá-las, exibe um ânimo agressivo por baixo dessa calculada trapalhada, fingindo ser boato e calúnia o fato sobejamente comprovado da candidata ter se manifestado em diferentes ocasiões a favor da descriminalização do aborto.

Ao chamar de sórdida a ação também de quem legitimamente a questiona,  e nesse questionamento segue uma linha de raciocícino  suficentemente fundamentada, ao tentar desqualificar indiscriminadamente quem não a apóia, a candidata Dilma Rousseff exibe o quão pouco satisfeita está com o seu próprio manifesto, com o fato de tê-lo apresentado.

Preferiria manter a atitude anisotrópica (vide Dilma, a anisotrópica) do primeiro turno? Haveria um desconforto seu pelas genéricas declarações expressas em sua carta-manifesto? Expressariam, de fato, tais declarações o íntimo de suas convicções? Parece, então, atender a carta, isso sim, apenas o intuito de ganhar as eleições a qualquer preço. A leitura atenta da carta, nos seus finalmente, resulta numa pergunta a martelar a cabeça: o que esperar de uma candidata, caso chegue à presidência, movida por tanto rancor?

ÍNTEGRA DA CARTA ABERTA DE DILMA ROUSSEF

Dirijo-me mais uma vez a vocês, com o carinho e o respeito que merecem os que sonham com um Brasil cada vez mais perto da premissa do Evangelho de desejar ao próximo o que queremos para nós mesmos. É com esta convicção que resolvi pôr um fim definitivo à campanha de calúnias e boatos espalhados por meus adversários eleitorais. Para não permitir que prevaleça a mentira como arma em busca de votos, em nome da verdade quero reafirmar:

1. Defendo a convivência entre as diferentes religiões e a liberdade religiosa, assegurada pela Constituição Federal;

2. Sou pessoalmente contra o aborto e defendo a manutenção da legislação atual sobre o assunto;

3. Eleita presidente da República, não tomarei a iniciativa de propor alterações de pontos que tratem da legislação do aborto e de outros temas concernentes à família e à livre expressão de qualquer religião no País.

4. O PNDH3 é uma ampla carta de intenções, que incorporou itens do programa anterior. Está sendo revisto e, se eleita, não pretendo promover nenhuma iniciativa que afronte a família;

5. Com relação ao PLC 122, caso aprovado no Senado, onde tramita atualmente, será sancionado em meu futuro governo nos artigos que não violem a liberdade de crença, culto e expressão e demais garantias constitucionais individuais existentes no Brasil;

6. Se Deus quiser e o povo brasileiro me der, a oportunidade de presidir o País, pretendo editar leis e desenvolver programas que tenham a família como foco principal, a exemplo do Bolsa Família, Minha Casa, Minha Vida e tantos outros que resgatam a cidadania e a dignidade humana.

Com estes esclarecimentos, espero contar com vocês para deter a sórdida campanha de calúnias contra mim orquestrada. Não podemos permitir que a mentira se converta em fonte de benefícios eleitorais para aqueles que não têm escrúpulos de manipular a fé e a religião tão respeitada por todos nós. Minha campanha é pela vida, pela paz, pela justiça social, pelo respeito, pela prosperidade e pela convivência entre todas as pessoas.

6 Respostas to “O que esconde a carta de Dilma Rousseff sobre aborto e liberdade religiosa? Recurso para combater ‘central de boatos’?”

  1. jonas Says:

    Ola, será que o sr poderia me dizer se tem ai no seu arquivo algun discurso assim tão inflamado a respeito de pedofilia na hostes catolicas? O sr tem? Pode mandar pra mim por favor?

    Ah eu ja ia me esquecendo gostaria que o sr tambem me mostrasse algum tipo de manual ou documento da igreja que instrua seus ministros sobre como agir em caso de pedofilia, de transas com paroquianas, ou de homossexualismo entre seus padres e bispos.

    Muito obrigado e grandes abraços

    • ehlsinore Says:

      Oi Jonas, boa noite.

      Como dizia o Marquês de Penaforte, “não confundamos chá com tremoços e pá de ossos”. A proposta aqui é refletir a carta-manifesto de Dilma Roussef.

      Se alguma inflamação pode ser notada em minha análise deve-se ao fato da injustiça cometida pela candidata Dilma em assacar indistintamente contra qualquer um que lhe faz oposição o qualificativo de sórdido e mentiroso, negando contra todas as evidências em contrário, o que qualquer observador sereno e descomprometido pode constatar: Dilma Rousseff em muitas ocasiões manifestou-se a favor da descriminalização do aborto.

      Ora, não é aceitável que um candidato à presidência esconda dos seus eleitores o que para ele mesmo é uma convicção profunda.

      Note em momento algum, Dilma faz uma retificação. Mesmo na carta-manifesto cujo intuito seria o de ser um “cala-boca” nessa polêmica. Finge nunca ter dito o que disse. Uma líder de verdade, que pretenda se elevar à condição de estadista, se foi levada a mudar de opinião por argumentos e fatos, deveria dizer com todas as letras: antes pensava assim e hoje já penso diferente.

      Ao não fazer isso, corrobora ela a impressão de só se interessar pela obtenção de votos a qualquer preço.

      Sobre o conteúdo de seu comentário, Jonas, permita-me, observar: 1) é inapropriado pois aborda temas que não alteram nem a substância nem o detalhamento da análise da carta-manifesto de Dilma Rousseff, em momento algum foram tais temas tratados por ela;

      2) trata tais temas injustamente, seja ao fazer crer que o ocorrido em uma parcela restrita da Igreja é algo partilhado por todos os católicos (clero e laicato), seja ao restringir apenas à Igreja Católica comportamentos infelizmente disseminados por toda a sociedade.

      Observe, em momento algum na minha análise ou em meus posts argumento generica e indistintamente. Busco sempre ser criterioso e elucidativo nas argumentações ao expor o meu ponto de vista, mesmo quando possa parecer inflamado. Sempre um convite à reflexão.

      Não há acusações gratuitas em minhas análises e nem meras palavras de ordem. Outros pontos de vista são sempre benvindos, inclusive os contrários aos meus, mas, por favor, que busquem seguir os mesmos critérios. Assim, penso, todos ganharemos com o debate, mesmo quando mantivermos as nossas opiniões.

      Ah sim, Jonas, como esse seu comentário foi replicado em mais outros três posts, apaguei os demais (eram idênticos) e mantive o daqui, pois pareceu-me estar mais dirigido à anaálise aqui desenvolvida.

      Um ótimo fim de semana.

  2. Archimedes Meloni Says:

    Olhe,

    Sou católico! Procuro sempre cumprir minhas obrigações religiosas.

    Acho que é um grande avanço a carta apresentada.

    Mostra a força dos Cristãos através do voto.

    Através da manifestação das pessoas que são contra o “aborto”, “casamentos de homossexuais”, etc. conseguimos uma clara manifestação de um dos candidatos defendendo nossos ideais.

    A situação de Cristãos está multo melhor hoje, depois da carta do que antes. Temos um compromisso de um dos candidatos.

    Mesmo que ela pessoalmente não concorde com nossas idéias religiosas, ela, teve que aceitar essa imposição dos Cristãos! É ótimo!

    Temos que exigir do outro candidato uma postura idêntica. Ele tem que se comprometer claramente com os temas de nosso interesse, senão perde nossos votos.

    Veja o que as alunas da esposa de Serra dizem sobre o assunto “aborto”:

    http://amigosdocrivella.wordpress.com/2010/10/16/mulher-de-serra-contou-ter-feito-aborto-diz-ex-aluna/

    http://www.redebrasilatual.com.br/…/mulher-de-serra-teria-feito-aborto-dizem-ex-alunas

    • ehlsinore Says:

      Olá Archimedes, boa noite!

      Sem dúvida a carta apresentada é um avanço, só não concordo que seja um grande avanço. É tudo muito relativo e genérico, como busco demonstrar em minha análise, o avanço na verdade é muito pouco.

      É insofismável o fato da carta trazer em seu bojo uma tremenda injustiça, quando a candidata Dilma ataca indistintamente a qualquer um que lhe faz oposição, chamando-o de sórdido e mentiroso.

      Nega Dilma o que qualquer observador sereno e descomprometido pode constatar: o fato dela ter em muitas ocasiões manifestou-se a favor da descriminalização do aborto. Teima em dizer que isso é um boato.

      Ora, não é aceitável que um candidato à presidência esconda dos seus eleitores o que para ele mesmo é uma convicção profunda.

      Note em momento algum, Dilma faz uma retificação. Mesmo na carta-manifesto cujo intuito seria o de ser um “cala-boca” nessa polêmica. Finge nunca ter dito o que disse. Uma líder de verdade, que pretenda se elevar à condição de estadista, se foi levada a mudar de opinião por argumentos e fatos, deveria dizer com todas as letras: “antes pensava assim e hoje já penso diferente”.

      Ao não fazer isso, corrobora ela a impressão de só se interessar pela obtenção de votos a qualquer preço.

      Sobre o outro candidato, Serra, não penso que tenha ele de fazer o mesmo. Sempre disse com meridiana clareza as suas convicções a respeito. Nunca ninguém levantara alguma dúvida a esse respeito. E olhe que temos aqui alguém que já expusera em diversas eleições.

      No próprio Torre Leste temos postei um vídeo a esse respeito, permita-me citá-lo: 1) a íntegra do debate promovido pelas tvs católicas (no qual à exceção de Dilma todos os principais candidatos se fizeram presentes: Serra, Marina e Plínio). Apesar de extremanente útil e interessante, ainda mais nas atuais circunstâncias, não é preciso vê-lo todo para encontrar a manifestação de Serra sobre o assunto, pois inclui apenas o trecho sobre o tema em outro post, onde faço justamente isso: comparo as posições de Dilma e Serra a respeito.

      Ôpa, há aquela questão da norma técnica assinada por Serra quando ministro da Saúde. Perguntado por Dilma no debate da Bandeirantes último, esclarece José Serra que a norma era uma necessidade para se balizar na rede pública os procedimentos de aborto que a própria legislação no país premitia. No Torre Leste inseri três vídeos abrangendo a parte inical desse debate. A resposta a essa questão está no 2º vídeo e foi tão bem dada que a campanha de Dilma não voltou a repisar nesse ponto.

      Daí terem agora superdimensionado a questão da esposa de Serra, a Mônica. Supondo seja verdade o ocorrido, expor a esposa de Serra nessa questão é de uma maldade semelhante a de quando Collor expôs a filha de Lula fora do casamento, Lurian, de todos desconhecida. Na época, não deixei de votar em Lula por causa desse ardil sórdido. Nesses casos sim, o de Lurian e o de Mônica Serra, está tal termo muito bem empregado.

      Mõnica Serra não é candidata, nunca concorreu e não está a concorrer a nada. O candidato é José Serra. Sobre a sua convicção não há dúvida. Não há porque expor um possível drama pessoal de alguém que não está em julgamento. No caso a Mônica Serra.

      Vi a matéria por você indicada. Não há na matéria nada respeitante ao próprio Serra. Não se fala, sempre supondo que tal seja veredade, que ele a estimulou, a convenceu ou a pressionou. Muitas vezes na vida podemos ser levados a fazer coisas que contraram nossas convicções, são as fraquezas e dilemas humanos.

      Mas, independente de qualquer coisa mais, não creio que seja justo e honesto expor o drama pessoal de alguém, e de alguém que nem mesmo é candidata, como é o caso de Mônica Serra. Pouco ético, isso sim, seria o próprio José Serra expor a sua própria esposa nas eleições.

      A matéria que vi acha-se no blog dos “Amigos do Crivella” (no outro link da Rede Brasil Atual aparece a mensagem que “aquela página não existe”). A posição do senador Marcelo Crivella é a daqueles líderes religiosos que passei a olhar com uma certa suspeição, pois vem a corroborar a falsa ideia do boato, insistindo que Dilma nunca foi a favor da descriminalização do aborto.

      Ora o senador Crivella, o mesmo que, inclusive também através desse mesmo blog, durante a campanha, por ser sobrinho do bispo Edir Macedo da Igreja Universal, defensor aberto do aborto, insistiu em exibir uma posição diversa da do seu tio. E apresentava como prova o fato de sua esposa nunca ter tomado nem anticoncepcional. Pois bem, agora vem ele se somar a essa operação suspeita de convencer aos eleitores não passar de boatos o fato de Dilma ter defendido a descriminalização do aborto. Muito triste a posição do senador Marcelo Crivella.

      Vamos torcer e orar para que avanços mais consistentes possam se fazer.

      Obrigado Archimedes, por seu comentário,

      Um ótimo fim de semana.

  3. A Bibliogenese de Israel Pag.156

    JESUS CRISTO LIVRA A FAMILIA TERRENA DO MAL DO ABORTO COM O PO-DER DA FÉ: (ES.57.2)
    (LE.6.1) – Há um mal que vi debaixo do sol, e que pesa sobre os ho-mens: (DT.13.11) – E todo o Israel ouvirá e temerá, e não se tornará a praticar maldade como esta no meio de ti; (JR.15.5) – pois quem com-padeceria de ti, ó Jerusalém? (LE.5.18) – Eis o que eu vi: (EC.25.26) – Ora, o povo cometeu grande pecado, fazendo para si deuses de ouro: (SL.57.2) – Clamarei ao Deus Altíssimo, ao Deus que por mim tudo executa: (LM.2.20) – Vê, Senhor, e considera a quem fizeste assim! Hão de as mulheres comer o fruto do seu carinho? Ou se matará no santuário do Senhor, o sacerdote e o profeta? (JÓ.10.18) porque, pois, me tiraste da madre? Ah! Se eu morresse antes que olhos nenhuns me vissem; (JÓ.81.16) – ou, como um aborto oculto, eu não existiria, como crianças que nunca viram a luz:(JÓ.5.4) – Os seus filhos estão longe do socorro, são espezinhados as portas e não há quem os livre: (LE.8.11) – Visto como não se executa logo a sentença sobre a má obra, o coração dos filhos dos homens está inteiramente disposto a praticar o mal: (HC.2.2) – O Senhor me respondeu e disse: (IS.7.7.) – Isto não subsistirá nem tampouco acontecerá: (ÊX.23.26) – Na tua terra não haverá mulher que aborte, completarei o numero dos teus dias; (1CO.15.45) – pois assim está escrito: (AR.916.64)

    Eu sou o Espírito do Senhor Deus, do vosso Pai Eterno, que testei as almas dos filhos de Adão e Eva na minha Lei, e que hoje diz a verdade aos Homens e as Mulheres, na ação de um Santo Profeta que crê, ama, luta e tem falado por mim: Escutai, entendei, amai e lutai; pois haverá bom futuro no Homem que se faz filho do amor, e que se levanta como esse Ser Espiritual iluminado, como o Cristo: Agora existe outro Cristo com o poder do seu Deus, e não haverá mais a malicia do diabo, nem o abominável mal do aborto; porque aqui o Filho do Homem decreta e promulga esta sentença na Santa Lei de Deus: Quem praticar o aborto na obra da criação, cometerá uma loucura e um pecado imperdoável, pois o aborto provocado será considerado como crime de morte na terra do futuro povo Cristão: Então, tanto os homens como as mulheres já passaram a ser pecadores conscientes à luz do saber de Israel, e também não poderão escapar da mão do Senhor, como executores desse crime: Testemunhai que Cristo veio ensinar aos Cristãos como executar as nossas leis e estatutos, e a espiritualizar as almas das crianças, ao ler à si: O Senhor Deus provou aos Homens e às Mulheres que eu existo como o Cristo? E seguireis o nosso Espírito que não morrerá? (IL.973.56)

  4. […] eleitoreira. Como se diz, o tempo é o senhor da razão! Recordar é saber viver:   https://torreleste.wordpress.com/2010/10/16/ Gostar disso:GosteiSeja o primeiro a gostar […]

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