Senado homenageia, dia 9, D. Eugênio por seus 90 anos

O cardeal-arcebispo do Rio, D. Eugenio de Araujo Sales, em missa que antecedeu a entrega do Premio Sao Sebastiao, da arquidiocese, no Palacio S. Joaquim, na Gloria, zona sul do Rio de Janeiro (RJ). 03/XI/2000 - Foto: Antonio Gauderio/Folha Imagem.

(da matéria de Helena Daltro Pontual / Agência Senado e da Enciclopédia Viva)

O Senado homenageia, no período do expediente que antecede a sessão plenária desta terça-feira (9/XI/2010), às 14h, o cardeal Dom Eugênio Sales, arcebispo emérito do Rio de Janeiro, pelos seus 90 anos de vida. O requerimento solicitando a homenagem é do senador João Faustino (PSDB-RN).

“Idealizador das comunidades eclesiais de base e da Campanha da Fraternidade, Dom Eugênio também ficou conhecido por ajudar perseguidos políticos durante o regime militar.

O senador João Faustino diz, no requerimento da homenagem, que o cardeal é uma das figuras mais proeminentes da Igreja Católica e ‘tem relevantes serviços prestados ao povo brasileiro’. O parlamentar destaca, entre as

Senador João Faustino (PSDB-RN)

atividades de Dom Eugênio, a criação do Movimento de Educação de Base e, com ele, as escolas radiofônicas; a criação dos primeiros sindicatos rurais; a defesa de refugiados políticos; a criação de centros de atendimentos a portadores de AIDS e a criação da pastoral carcerária.”

1920 – nasce na Fazenda Catuana, em Acari (RN), no dia 8 de novembro . De família muito católica, realizou seus primeiros estudos em Natal (RN), indo, posteriormente, para Fortaleza (CE), onde cursou filosofia e teologia.

1943 – ordenado sacerdote em  em Natal.

1954 – nomeado pelo papa Pio XII, é ordenado bispo aos 33 anos em 1º de junho e toma posse em  15 de agosto como bispo auxiliar de Natal. Entre as várias iniciativas à frente da diocese implanta o Serviço de Assistência Rural, as escolas radiofônicas e a Emissora de Educação Rural, lançando as bases para a educação de adultos no Nordeste e promovendo a sindicalização rural.

1962 – administrador apostólico da arquidiocese de Natal, iniciando na quaresma deste ano a Campanha da Fraternidade em âmbito local,  com a adesão de outras três dioceses do Rio Grande do Norte.

1963 – a Campanha da Fraternidade é reeditada e atinge 16 dioceses do Nordeste, sendo em dezembro assumida pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e tornando-se nacional já no ano seguinte.

1964 – administrador apostólico da arquidiocese de Salvador.

1968 – arcebispo de Salvador e primaz do Brasil (isto é, arcebispo da diocese mais antiga do país), tendo se destacado, entre outras atividades, pela assistência às populações do Recôncavo Baiano.

 

Brasão cardinalício de Dom Eugênio, encimado pelo galero (chapéu eclesiástico) púrpura de trinta borlas, utilizado outrora pelos cardeais e caracterísitico de tais brasões. O lema ( “Impendam et Superimpendar”) é uma alusão à frase de São Paulo (2 Cor. 12, 15): Ego autem libentissime impendam et superimpendar ipse pro animabus vestris. Si plus vos diligo, minus diligar? (Quanto a mim, de bom grado despenderei, e me despenderei todo inteiro, em vosso favor. Será que, dedicando-vos mais amor, serei, por isto, menos amado?).

1969 – feito cardeal pelo papa Paulo VI.

1971 – arcebispo do Rio de Janeiro, função em que permaneceu até 2001, quando se aposentou. Desde então é arcebispo emérito. Neste período criou a Pastoral do Menor, a do Trabalhador e a da Terceira Idade, entre outras, e também o Instituto Pró-Família, a Casa do Padre (chamada “Cardeal Câmara”, que dá acolhimento a sacerdotes idosos e aposentados) , os centros de atendimento aos meninos de rua e os ambulatórios para portadores do vírus da Aids, prostitutas e mendigos.

1972 a 2001 – acumula a função de bispo dos fiéis de Rito Oriental do Brasil. e, no período, atua como membro de 11 congregações na Cúria Romana.

Atuou na defesa da ortodoxia católica, o que o levou a se opor à Teologia da Libertação de cunho marxista.  Entre 1976 e 1982, agiu na defesa de refugiados políticos não só do Brasil, mas também dos regimes militares latino-americanos, tendo montado, então, uma rede de apoio a esses refugiados, abrigando-os, primeiramente, na sede episcopal (Palácio São Joaquim) e depois em apartamentos alugados com essa finalidade. Contou com apoio da Cáritas brasileira e do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados para financiar essa estadia, até conseguir asilo político a essas pessoas em países europeus.

Clique aqui para ler a entrevista concedida por Dom Eugênio Sales à Canção Nova em 2006, pouco antes da visita do Papa Bento XVI ao Brasil.

Veja mais em Missa pelos 90 anos.

 

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