15 de outubro, “Dia do Professor” ou “Dia do Mestre”? Como foi definido este dia no Brasil?

Há quem diga:

Professor é profissão; mestre é vocação.
Professor ganha por aula; mestre ganha sonhos.
Professor tem horário; mestre não tem.
Professor lê livros; mestre desvenda universos.
Professor corrige prova; mestre aponta caminhos.
Professor dá aula; mestre constrói conhecimento.
Professor aponta para o futuro; mestre indica a vida.
(…).”

É comum fazer tais distinções, nas quais o professor constantemente é depreciado diante do mestre. Perdoe-me quem pensa assim, mas parece-me partir tais raciocínios do preconceito diante da atividade laboral. O trabalho, identificado e imaginado como algo manual, próprio de classes subalternas e subalterno em si, já o mestre, acima, a orientar e a inspirar como é próprio dos mestres.

Mestre” é palavra oriunda de magister, de onde provem tanto magistério como magistrado, e em cuja raiz acha-se majus (maius) denotando a ideia de maior, que se acha num plano acima, transmitindo uma imagem de verticalidade, de superioridade. Ora,algo bem distinto da modéstia a qual deve cercar a atividade do ensino, que também, e sempre, é aprendizagem, para quem ensina, sendo desenvolvidada em parceria com quem aprende.

Além do mais, mestre é um título, o qual, por isso mesmo, é concedido a alguém por quem detém a autoridade, seja o povo ou alguma instituição, resultado de reconhecimento, de uma caminhada. Reconhece-se que se destaca dos demais por sua capacidade, desempenho, habilidades, modo de ser ou de fazer, podendo ser apontado como exemplo no como vive o seu agir e interagir cotidiano.

Pois bem, não há encarnação mais plena do mestre que Jesus Cristo e o Seu sucesso neste caminho só foi aqui alcançado porque a todos serviu, se colocando como o mais modesto dos servos. Do mesmo jeito, cada um de nós, em nosso ofício e na vida apenas obteremos tal sucesso se nos assemelharmos total e integralmente a Ele, com o nosso jeito particular de ser, que nos foi plantado em nosso coração pelo Todo Poderoso.

Portanto, não há sentido em nos autoproclamarmos mestres sem que sobre tal festejar paire a sombra da soberbia. Que os outros digam assim, vá lá… Vai que estão a expressar um desejo, o desejo que seus professores se assemelhem mais e mais ao Mestre. Mas não nós!

Somos professores, isso sim. Este é o nosso ofício, o nosso trabalho! E o trabalho não é algo pra se envergonhar ou depreciar, pois o trabalho dignifica o homem. Não é este justamente o tema de uma das mais belas encíclicas do Santo Padre João Paulo II, a Laborem

Exercens?

No latim professus, “aquele que declarou em público”, advém do verbo profitare, “declarar publicamente, afirmar perante todos”;

Para acessar o texto completo da encíclica, em pdf, clicar em Ioannes Paulus II – Laborem Exercens.

formado por pro-, “à frente”, mais fateri, “reconhecer, confessar”. Trata-se de uma pessoa que se declara apta a fazer determinada coisa, e assim ganhar a vida com tal atividade. Daí “profissional”, “profissão”, termos provindos da mesma raiz que “professor“. Todavia, o costume acabou por reservar este último termo à atividade do ensinar.

Fazer bem o seu trabalho, e cada dia melhor, fazendo dele oportunidade de encontro e de vigor humano, fazendo-nos cada vez mais gente, abertos à vida em plenitude e ao serviço do Amor, permitindo e proporcionando o desabrochar de quem o Altíssimo lhe deu como responsabilidade. Como realização, o que mais pode querer o professor no seu ofício?

Esta é a inspiração que se buscou quando, no Brasil, foi escolhido o dia 15 de outubro como o dia do professor.

A escolha da data no Brasil (cada país define uma data diferente para essa comemoração) começou nos anos 30, quando diversas iniciativas foram tomadas por grupos de professores católicos, a exemplo da festa do “Nosso primeiro Mestre”, lançada pela Associação de Professores Católicos do Distrito Federal (então, no Rio de Janeiro) ou o “Dia da Mestra”, instituído também no Rio de Janeiro pelo Departamento de Ensino Primário.

Recair tal escolha da comemoração no 15 de outubro deve-se a ser tal dia consagrado a Santa Tereza de Jesus, também conhecida como Santa Teresa d’Ávila, por ter nascido em Ávila, um lugarejo da Espanha em 28 de março de 1515. Após ter fundado mosteiros por toda a Espanha e reformado o Carmelo, faleceu em 1582, no dia 4 de outubro. Ocorre que, naquele ano, coincidentemente, implantava-se a reforma gregoriana do calendário e, do ano, foram riscados alguns dias para fazer coincidi-lo com a duração do percurso do nosso planeta em torno do sol, transformando o dia 4 em 15 de outubro. Santa Teresa foi associada aos docentes por serem estes em sua maioria mulheres (e católicas). Tereza d’Ávila também era conhecida pela notável inteligência, a qual era comparada, em seu tempo, a dos doutores da Igreja, além de grande mística, autora de importantes livros de espiritualidade (num século, o XVI, no qual a maioria das mulheres não sabia ler ou escrever), sendo reconhecida  como “Padroeira dos Professores”. Mais tarde o Papa Paulo VI a proclamaria doutora da Igreja.

Maior repercussão, porém, só ocorre quando, em artigo publicado no “Jornal de São Paulo” (em 10 de outubro de 1946), o professor Alfredo Gomes (ex-presidente da Associação Paulista de Professores Secundários e da Sociedade Beneficente de Professores e Auxiliares de Administração e também diretor da União de Professores de Educação e Ensino e da Associação Paulista de Educação) lança a Campanha pela oficialização dessa data como “Dia do Professor” no Estado de São Paulo.

“A Campanha esclarecia que, além da associação religiosa, a data possuía riqueza histórica. Afinal pode-se dizer que neste dia foi instituído o ensino público no Brasil, por decreto Imperial de D. Pedro I, em 1827. O referido documento assinado pelo Imperador ordenava a

É do dia 15/X/1827 o decreto imperial assinado por D. Pedro I  tido como o ato que criou o Ensino Elementar no Brasil.

criação de escolas de “primeiras letras” (alfabetização) em todas as cidades, vilas e lugares mais populosos do Império.”

Um ano depois, 1947, surge a “Comissão Pró-Oficialização do Dia do Professor” e, em 13 de outubro de 1948, é assinada a Lei estadual nº 174 que define a data defendida como Dia do Professor no estado de São Paulo. A iniciativa paulista é replicada em outros estados e, assim, o 15 de outubro segue se estendendo pelo país como feriado escolar e uma nova luta se inicia, a do reconhecimento nacional da comemoração que culmina com a assinatura do decreto federal 52682 pelo então presidente João Goulart em 14 de outubro de 1963.

(Fontes sobre a escolha da data: http://www.contee.org.br/noticias/educacao/nedu15.asphttp://www.educacao.sp.gov.br; sobre outras datas comemorativas do dia do professor ao redor do mundo: Fête des professeurs e World Teachers’ Day). Ver também: Mensagem Dia do Professor.

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