Novo Ano, tudo igual? E os imprevistos? Qual a chance para o novo?

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Ontem, dia 30 de dezembro, estava no Bradesco, agência Amaral Peixoto (Niterói, RJ), sendo atendido pelo caixa, quando este se deu conta que já tinham passado das 3 horas: “puxa como o tempo voou, nem percebi”. “É porque o ano está com pressa de acabar” disse. “Foi todo muito corrido, o ano voou.” E ele retrucou: “não sei o porquê, é tudo a mesma coisa. Sempre igual, nada muda.” E lembrou animado do Fantástico da véspera. Da retrospectiva do Marcelo Adnet. Ria da própria resignação e da desesperança, recordando trechos do quadro. Afinal constatava que não estava sozinho e que ainda podia tirar um “sarro” da mesmice depressiva do país. No tudo previsível do Adnet, de um novo ano sem surpresa alguma, não se percebia as falhas de uma profecia que engessava todos os eventos num mesmo molde, mesmo quando especiais em sua singularidade.

Marcelo Adnet viaja no tempo e cria retrospectiva de 2014 (Programa “Fantástico”, Tv Globo, 29dez2013)

No entusiasmo de nosso amigo por uma cumplicidade global, queimava-se, mesmo magoada, a rebeldia teimosa do Cazuza d’O Tempo Não Para que, ainda que cansado, não se dava por derrotado, diante do tudo sempre igual. E sobrava ressoando apenas o estribilho:

Eu vejo o futuro repetir o passado
Eu vejo um museu de grandes novidades
O tempo não para
Não para, não, não para

Ora, no ofício do historiador se descobre, para além do senso comum amador, que o tempo não se resume a repetições, por mais pertinazes. Há o singular. O diverso tem o seu papel. Ocupa lugar na orquestra. A sinfonia é por ele enriquecida.

Rebelde por excelência a todos os nossos esquemas é a realidade: maior que os nossos desejos, interpretações e percepções, o real é também sede dos imprevistos. Escapa aos nossos controles. Assim, seja a nossa previsibilidade amarga de um Cazuza ou confortável como a de um hobbit, o imprevisível acaba batendo à nossa porta e, se não tivermos a disposição em escutá-lo, esvai-se a chance de uma inesperada jornada. Que 2014, que a passagem do ano e os dias do porvir, sejam oportunidade de renovação para cada um de nós. O protagonismo é uma escolha que nos cabe e a cada um de forma pessoal e intransferível.

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