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Yoani Sanchez visita o Brasil e fala das mazelas do regime cubano e da perseguição sofrida em seu país

Posted in Censura, Diversidade, Pensamentos / Frases / Máximas, preconceito e discriminação with tags , , on 24/02/2013 by ehlsinore

@yoani

Yoani Sánchez  – @yoanisanchez

Blogger, vivo en La #Habana y cuento mi realidad en 140 caracteres Twitteo fundamentalmente por SMS. Amo la #literatura el #periodismo la #tecnología y a #Cuba

Cuba · http://www.desdecuba.com/generaciony

Por que não ouvi-la?

Yoani tem uma fala serena, paciente, sempre muito atenta, gentil e verdadeira. Por que tantos berros para@yoanisanchez impedir-lhe a fala?

“(…) quando não se tem argumentos se grita, quando não se quer dialogar, polemizar em paz, simplesmente insulta-se o adversário”, como vemos difundir tais práticas também nos trópicos…

Daí até a ideia de para ser “um revolucionário tem de saber se transformar em uma máquina fria de matar” (Che Guevara) é um passo; quem mata ideias com tal violência, acaba não vendo freios em matar quem traz tais ideias. Basta que as condições sejam dadas.

Pensar que se idolatra e mitifica países onde “pensar diferente do governo é considerado um delito”,

onde se promove “(…) vigilância, perseguição, difamação, grito, repúdio” só pelo fato de alguém expressar uma crítica respeitosa e pluralista, pode-se concordar com algo assim?

Este é o custo de algumas conquistas sociais? Por que o OU e não o E? Até quando nos será imposto optar entre LIBERDADE e IGUALDADE, por que não ambas? Por que o elogio de uma tem de abafar a crítica pela falta da outra?

E será que uma é mesmo verdadeira quando falta a outra?

E neste falso dilema, onde fica a irmã esquecida, a FRATERNIDADE?

(entre aspas as citações são trechos da fala da própria Yoani Sánchez na entrevista abaixo)

Yoani Sánchez revela a linguagem do regime cubano:

http://g1.globo.com/globo-news/globo-news-especial/videos/t/todos-os-videos/v/yoani-sanchez-revela-a-linguagem-do-regime-cubano/2422973/

Veja também:

* Yoani é conhecida por seus escritos com críticas ao regime cubano. Ela visitou ‘museu’ que guarda história da luta contra ditadura no Brasil.

* Yoani Sánchez critica manifestantes políticos em entrevista. Blogueira diz que não esperava virulência e fanatismo no Brasil.

* Yoani Sánchez em rápidos flashes na sua passagem pelo Brasil

* Operación Yoani

Yoani Sánchez concede entrevista no Canal Livre da Band com tradução simultânea Millennium

http://canallivre.band.uol.com.br/videos.asp?id=14300204

Leonardo Boff, mestre das palavras vazias? Desmistificando um falso debate.

Posted in Imprensa e Mídia, Pensamentos / Frases / Máximas, preconceito e discriminação, propaganda enganosa with tags , , , , , on 11/12/2012 by ehlsinore

A RESPEITO DO CONTRADITÓRIO DE LEONARDO BOFF A POLÊMICO ARTIGO DE REINALDO AZEVEDO COMENTANDO AS POSIÇÕES E O PENSAMENTO POLÍTICOS DE OSCAR NIEMEYER

Leonardo Boff

Clique aqui e leia na íntegra a resposta de Leonardo Boff (Carta Capital).

Reinaldo Azevedo

Clique aqui e leia na íntegra o artigo de Reinaldo Azevedo (Veja).

Será que ninguém se dá ao trabalho de ler ambos os artigos?

É muito mais fácil apontar em riste as alabardas ideológicas beneficiando-se do ambiente costumeiramente favorável  aos recém-falecidos e negar liminarmente que possa haver a possibilidade de discordância às unanimidades construídas midiáticamente!

Como devem fazer os historiadores, jornalistas, semioticistas e outros que fazem do seu ofício o exame atento dos textos, após ler o texto de Leonardo Boff fui à fonte pra ver o que tinha dito o artigo criticado pelo Boff e, surpresa, o artigo de Boff está longe de responder à análise desenvolvida por Reinaldo Azevedo, falseando amplamente o comentado por ele e as suas posições:

 

O articulista em questão, Reinaldo Azevedo, reproduz exatamente artigo de sua própria autoria por ocasião dos 99 anos de Niemeyer, no qual, em momento algum critica a obra de Niemeyer como arquiteto ou a sua genialidade neste campo, mas antes, isso sim, a elogia.

 

O que Reinaldo Azevedo observa é que a excelência de uma obra não avaliza as ideias do artista em outros setores do pensamento, particularmente a política, e, a partir daí, e de outros exemplos, questiona o comunismo de Niemeyer e seus posicionamentos ideológicos.

 

Claro, pode-se questionar a forma como o Reinaldo Azevedo coloca a sua avaliação, o calibre do tom, parecendo desrespeitoso, mas não o conteúdo do por ele afirmado.

 

A tese em si está corretíssima (a vida e o pensamento do autor, infelizmente, nem sempre correspondem à genialidade de suas obras e admirar a beleza destas não implica em concordar com os primeiros) e, já alertava Nelson Rodrigues, devemos tomar cuidado com os óbvios ululantes como aquele que Boff tenta construir em seu artigo de que Niemeyer seria inquestionável em todos os terrenos.

 

Perdoem-me quem aplaudiu o texto de Boff, mas, quando confrontado com o texto do Reinaldo que o motivou, o texto de Boff revela-se uma falácia. Ele esgrima com imagens e sentimentos, pra sensibilizar o leitor, mas é vazio de razão: um balão inflado!

 

Devemos tomar cuidado com as unanimidades impostas pela mídia. E olhe que, mesmo nos elogios da imprensa estrangeira à obra de Niemeyer, altissonantes, nem por isso se deixou de observar, que as últimas obras não traziam a mesma marca de inventividade.

 

Que se leiam os artigos do Reinaldo Azevedo e de Leonardo Boff, confrontando-os com espírito aberto e de modo independente da preferência ideológica que se possa ter por um dos dois articulistas.

Muito bom também para instruir o debate é ver o que diz o próprio Oscar Niemeyer a respeito de política (efetivo tema central deste debate) em uma entrevista amiga postada no blog “ComTextoLivre”. Clique na imagem abaixo para ir à entrevista:

Oscar Ribeiro de Almeida de Niemeyer Soares (1907-2012) fala de política

Oscar Ribeiro de Almeida de Niemeyer Soares (1907-2012) fala de política: ele por ele mesmo.

CNBB lança CF 2011 e responde à tentativa de ingerência do Gabinete da Presidência: não se pode silenciar a Igreja

Posted in Eleições, Eleições Brasil 2010, Estado e Igreja, Liberdade Religiosa, preconceito e discriminação with tags , , , on 22/10/2010 by ehlsinore

 

Em entrevista coletiva, o presidente da CNBB dom Geraldo Lyrio Rocha e o secretário-geral da entidade dom Dimas Barbosa lançam os temas das CFs 2011 e 2012 e rebatem as críticas de que a Igreja estaria se intrometendo em assuntos de Estado.

AS CAMPANHAS DA FRATERNIDADE EM 2011 E 2012

(Gazeta do Sul) As CFs (Campanhas da Fraternidade) de 2011 e 2012 terão como temas, respectivamente, o AMBIENTE e a SAÚDE PÚBLICA.

A Campanha da Fraternidade  de 2011, cujo tema é ” Fraternidade e a vida no planeta”, tem como lema  “A criação geme como em dores de parto“.

D. Dimas e D. Geraldo na coletiva à imprensa que lança a CF 2011

A REUNIÃO DO CONSELHO PERMANENTE DA CNBB

(CNBB) A apresentação dos temas das próximas CFs e, mais especialmente do material da Campanha de 2011 se deu durante uma coletiva de imprensa, na sede da Conferência Nacional dos bispos do Brasil (CNBB), na tarde desta quinta-feira, 21 [de outubro de 2010]. Este foi um dos pontos da pauta da reunião do Conselho Permanente da CNBB, terminada no mesmo dia às 17h.

“A Campanha da Fraternidade deste ano (2011), reflete a questão ecológica, com foco, sobretudo, no problema das mudanças climáticas. Ela se coloca em sintonia com uma cultura que está se expandindo cada vez mais, em todo o mundo, de respeito pelo meio ambiente e do lugar em que Deus nos coloca, não só para vivermos e convivermos, mas também para fazer deste o paraíso com o qual tanto sonhamos”, disse dom Dimas.

Questionado se a escolha do lema “A criação geme como em dores de parto” foi feita em virtude das discussões acerca do aborto que ocorre neste período eleitoral, o presidente da CNBB disse que não e explicou o processo de definição dos temas da Campanha da Fraternidade.

“Essa escolha (do tema da CF-2011) não se fez agora, no contexto das discussões do momento atual. A escolha do tema de 2012, inclusive, já foi definida. Esse processo acontece com dois anos de antecedência”, disse. “O tema Fraternidade e vida no planeta inclui a questão do aborto, mas não se esgota nisso”, acrescentou o arcebispo.

O secretário Executivo da Campanha da Fraternidade, padre Luiz Carlos Dias, presenteou os jornalistas com um texto-base da Campanha, documento que aprofundada o tema proposto. “O objetivo da campanha é de contribuir para a conscientização das comunidades cristãs e pessoas de boa vontade sobre a gravidade do aquecimento global e das mudanças climáticas, e motivá-las a participarem dos debates e ações que visam enfrentar o problema e preservar as condições de vida no planeta”, declarou o padre. A Campanha da Fraternidade terá início na Quarta-feira de Cinzas, 9 de março de 2011, e se estende por toda a Quaresma.

Segundo a Reuters (em BRASÍLIA, reportagem de Maria Carolina Marcello) –

Numa sociedade democrática, o que não se pode fazer é querer silenciar a Igreja como se ela não pudesse manifestar a sua posição“, defendeu o presidente da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) dom Geraldo Lyrio Rocha.

“A Igreja, com o peso e o volume que tem, quando fala, é acusada de estar se intrometendo num âmbito que não é da sua competência. Esse argumento é falso”, disse a jornalistas.

Dom Geraldo Lyrio afirmou que, apesar de o Estado brasileiro ser laico, a sociedade é “profundamente religiosa”, o que justificaria discutir não só temas econômicos ou administrativos, mas também temas caros à Igreja, como o aborto e a eutanásia.

A AMEAÇA DE DITADURA LAICA

“Silenciar” a Igreja significaria, de acordo com o presidente, uma “ditadura laica”. “A Igreja tem uma missão profética. Ela não vai se silenciar, porque ela tem a missão de defender valores”, afirmou.

Dom Geraldo Lyrio reiterou que as posições da CNBB são manifestadas apenas pelo presidente, pela Assembleia Geral e pelo Conselho Permanente da instituição. A entidade aconselha católicos a votarem de acordo com “critérios éticos, entre os quais se incluem especialmente o respeito incondicional à vida, à família, à liberdade religiosa e à dignidade humana”.

Os bispos podem e devem se manifestar da maneira que entenderem mais correta, de acordo com dom Geraldo, inclusive indicando candidatos aos integrantes de sua diocese.

“O bispo tem plena autonomia. Ele tem o direito e o dever, de acordo com sua consciência, de orientar os seus fiéis”, defendeu dom Geraldo Lyrio. “Eles falam ou em nome pessoal ou na qualidade de pastores de uma determinada diocese”, completou.

Ainda sobre a coletiva no DCI – Diário comércio, Indústria & Serviços:

ABORTO É TEMA FUNDAMENTAL

Para Dom Geraldo, o fato de o tema ganhar relevância foi positivo, apesar de posições “reduzidas” pelas quais a CNBB não deve se responsabilizar. “A moeda sempre tem dois lados. Se há inconvenientes de um lado, há uma vantagem enorme do outro. O tema [aborto] foi colocado em pauta e não se podia entrar em um processo eleitoral sem trazer à tona assuntos dessa natureza”, disse Dom Geraldo, durante entrevista coletiva para lançar o tema da campanha da fraternidade de 2011.

O presidente da CNBB reclamou ainda da argumentação de grupos defensores da flexibilização da legislação sobre aborto de que o Estado é laico e que, portanto, a Igreja não deve interferir nos temas políticos. “Estado laico não é sinônimo de estado ateu, antireligioso ou areligioso. O Estado brasileiro é laico, mas a sociedade brasileira não é laica, é profundamente religiosa, não estou dizendo só católica, mas evangélica, afro, dos cultos indígenas. Se Estado laico for entendido como um Estado que não permite com posições diferentes, não será Estado laico, será ditadura laica.”

A Igreja Católica: Construtora da Civilização

Posted in Cultura, Dica, Direito, Educação, História da Ciência, Papado, preconceito e discriminação, Senso Religioso with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , on 24/02/2010 by ehlsinore

Já ouvimos todos esse papo antes, não ouvimos?

“A Igreja Católica é inimiga da ciência, do progresso e da razão”.

Bom, isso é tudo tolice e nós iremos provar sem dó.

Bem-vindos ao “A Igreja Católica: Construtora da Civilização”.

Episódio 1, parte 1.

“Introdução: Desvendando as falsificações sobre a Igreja Católica e seu impacto na Civilização Ocidental.”

VOCÊ SABIA?

  • Que a Igreja Católica Romana forneceu mais ajuda e apoio financeiro ao estudo da Astronomia, por mais de seis séculos – da recuperação do saber antigo da Baixa Idade Média ao Iluminismo -, do que qualquer outra e, provavelmente, todas as outras instituições? (John Lewis Heilbron, Universidade da Califórnia, em Berkeley).
  • Que a Igreja Católica teve de empreender a tarefa de introduzir a lei do Evangelho e o Sermão da Montanha entre os povos bárbaros que tinham o homicídio como a mais honrosa ocupação e a vingança como sinônimo de justiça? (Christopher Dawson *).

Série da EWTN exibida em 2008, com 13 episódios, apresentada por Thomas E. Woods, baseada no livro de sua autoria Como a Igreja Católica Construiu a Civilização Ocidental (obtenha um capítulo da obra em inglês clicando em How the Catholic Church Built Western Civilization).

Woods bacharelou-se em História pela Universidade de Harvard e obteve o  mestrado e doutorado também em História na Universidade de Colúmbia.

Quem disse ser a Terra plana? Foi essa a objeção à viagem de Colombo?

Desvendando mais uma falsificação historiográfica:

Veja esses e os demais vídeos da série legendados em português já disponíveis na página ao lado sobre a série.

Thomas E. Woods, Jr, nascido em 01/08/1972, é membro sênior do Mises Institute e autor de diversos livros, alguns incluídos entre os bestsellers da lista do New York Times: The Politically Incorrect Guide to American History (2004) e, mais recentemente, Meltdown: A Free-Market Look at Why the Stock Market Collapsed, the Economy Tanked and Government Bailouts Will Make Things Worse (2009). Dentre seus outros livros de sucesso, além do já citado How the Catholic Church Built Western Civilization (2005) , cumpre destacar: 33 Questions About American History You’re Not Supposed to Ask (2007) e The Church and the Market: A Catholic Defense of the Free Economy (2005) .

Veja artigos de sua autoria sobre economia e atualidades, traduzidos por Leandro Augusto Gomes Roque, no sítio do Instituto Ludwig von Mises Brasil e mais sobre o autor na sua página oficial: Tom Woods.

2005, Papai Noel em depressão; 2009, Natal na Terra de Ninguém

Posted in Cultura, Educação, espiritualidade, Estado e Igreja, Identidade, Iniciativas pela Paz, Liberdade Religiosa, Manifestações Religiosas, preconceito e discriminação, Senso Religioso, Unidade / Pluralidade with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , on 28/11/2009 by ehlsinore

"Papai Noel Depressivo" de Dennis Cox. A imagem ilustrativa não faz parte do artigo original ao lado

Papai Noel em depressão

“Quem, no Brasil, convidado a assistir a um show de Natal com elenco amador numa igreja evangélica de província, seria louco o bastante para ir lá com a expectativa de encontrar um espetáculo artisticamente relevante? Pois bem, acabo de sair da Assembléia de Deus do West End de Richmond, Virginia, ainda mal refeito de um choque cultural. Sincerely Yours, comédia musical natalina com script de Kathy Craddock baseado numa idéia de Pat Bragg e equipe, música e regência de Ron Klipp e direção de Bob Laughlin, é um espetáculo digno da Broadway, mais caprichado do que tudo o que já vi nos palcos brasileiros. São mais de duzentos atores cantando, dançando e fazendo acrobacias, numa coreografia complexíssima dirigida por mão certeira. A platéia vibra com a ação rápida, e a música entusiasticamente alegre se impregna na sua alma deixando uma impressão inesquecível.

SÁTIRA – O enredo é uma sucessão de situações cômicas absurdas, no melhor estilo Frank Capra, concebidas a partir da pergunta: como reagiria Papai Noel (Santa Claus, para os americanos) diante da atual campanha dos ateus, materialistas e anticristãos para escorraçar o Natal da vida pública? Sátira de um conflito muito real que põe em risco o destino de toda a sociedade americana, a história começa na véspera do Natal, com os ajudantes do velhinho, na maior excitação, enchendo o trenó de presentes e esperando a partida para mais uma viagem através do mundo. Mas o chefe não aparece: está trancado em casa, mortalmente deprimido, diante de uma pilha de cartas de meninos e meninas modernizados, insolentes, que desprezam o nascimento de Jesus e só querem saber de brinquedos caros – um deles prefere até sua parte em dinheiro. Um show de egoísmo e insensibilidade. Dar presentes, nessas circunstâncias, só serve para fomentar a vaidade e o orgulho. Sentindo-se um corruptor involuntário da infância, Papai Noel se condena: “Todo o trabalho da minha vida foi um tiro que saiu pela culatra”.

DOUTORZINHO – A sra. Claus tenta animá-lo, juntando um grupo de crianças para fazer uns afagos no ego do velho, mas as crianças só dão gafes freudianas e reforçam a impressão de que a infância está mesmo estragada. Erguendo placas para formar o nome “Santa”, conseguem até trocá-lo por “Satan”. Papai Noel afunda no total desespero. A esposa, atendendo à sugestão de tagarelas da vizinhança, vai ao cabelereiro se embonecar toda para ver se desperta algum ânimo no marido, mas enquanto isso ele é removido a um hospital pelo Social Security. Em vão ele protesta que não há nada de errado com ele, que o problema é com as crianças. Em cenas de uma comicidade alucinante, o paciente é submetido a todas as humilhações radiológicas, dietéticas, sexológicas e psiquiátricas de que é capaz a medicina moderna, personificada num doutorzinho de dez anos de idade. Quando volta, com a bunda doendo das injeções, Santa Claus nem repara no penteado da mulher, que então lhe passa um sabão em regra, acusando-o de ter perdido seu antigo entusiasmo visionário e se transformado num egoísta senil, rabugento, intoxicado de autopiedade, como o Scrooge de Conto de Natal de Dickens (leitura proibida em escolas “politicamente corretas”). Quanto mais ela fala, mais o marido piora. No fim, ele está decidido: não vai a parte alguma, as crianças do mundo que se danem. A sra. Claus resolve então entregar ela própria os presentes, mas os ajudantes não parecem considerá-la muito convincente nas funções de Papai Noel.

CONSPIRAÇÃO – Nesse ínterim, um investigador nomeado pela comunidade descobre que por trás de tudo há uma conspiração para desmoralizar o Natal sob argumentos hipócritas. A trama vem de uma ONG internacional do crime que reúne os piores tipos de todos os tempos: Lex Luthor, o Pinguim, Cruela, a Rainha Malvada, o Capitão Gancho e outros da mesma laia – uma caricatura cruel da ACLU, a União Americana dos Direitos Civis, cujo nome encobre uma quadrilha de puxa-sacos de Saddam Hussein, Bin Laden, Fidel Castro e Hugo Chávez, empenhados em proibir árvores de Natal, monumentos religiosos e qualquer menção pública ao nome de Deus (exceto, é claro, para os muçulmanos). Só que os bandidos da peça foram mais inteligentes que a ACLU: em vez de atacar diretamente o Natal, empreenderam contra ele uma campanha de desinformação, trocando as cartas de crianças para Papai Noel por mensagens forjadas para desorientar o velhinho.

Mas, antes mesmo que lhe chegue a revelação da trama, ele recebe uma carta atrasada, que escapou à falsificação geral. O remetente, Aaron Williams, de Richmond, Virginia, não quer nada para si: pede apenas algum consolo para sua mãe, entristecida pela morte de um cãozinho doméstico. Ao ler as palavras de despedida, “Sincerely yours“, “sinceramente seu”, Papai Noel se dá conta de que o sentido do Natal não está perdido enquanto subsistir numa só alma viva. É a lembrança de um Deus que se oferece em sacrifício a cada pessoa numa mensagem de amor: “sincerely yours“. Reencorajado pelos bons sentimentos do menino, ele já começa a voltar atrás na sua recusa de viajar, quando chegam os mensageiros do detetive e, contando tudo, lhe mostram que, por trás da imagem de um mundo totalmente materialista e descristianizado, fabricada de propósito pelos conspiradores para denunciá-la em seguida e culpar o capitalismo, ainda existem milhões de Aarons Williams. O sr. e a sra. Claus partem então para entregar os presentes, e a primeira casa em que param é, evidentemente, a de Aaron. Junto à cama do menino adormecido há um presépio que se transfigura em realidade. Jesus Cristo está nascendo naquele momento.

Já é o terceiro Natal em que a Assembléia de Deus do West End, com uma nova peça a cada ano, mostra o poder da sua inventividade teatral e musical. Vale a pena uma espiada no site do grupo, http://www.gloriouschristmasnights.com”(*).

(Olavo de CARVALHO, Diário do Comércio, 05/XII/2005)**

Observações nossas ao artigo acima

(*) Natal na Terra de Ninguém – No endereço indicado achar-se-á a produção da performance natalina da West End Assembly of God para 2009, No Man’s Land (Trégua de Natal), produção épica inspirada na armistício informal, pois sem o consentimento do Alto Comando de cada exército, ocorrido no front ocidental, no Natal do primeiro ano da I Grande Guerra (1914) entre soldados franceses, belgas, britânicos e alemães, quando as trincheiras e os fogos de artilharia cederam à troca de presentes e às partidas de futebol embalados por um multilingue Noite Feliz (veja artigo sobre o evento em Grandes Guerras e nos Arquivos do “The Times matéria publicada no jornal londrino em 01jan1915 sobre o ocorrido).

Charge da época alusiva ao surpreendente armistício natalino de 1914.

** Vide em “comentário” abaixo.

Ser Diferente É Normal!

Posted in Alteridade, Dica, Direito, Diversidade, Inclusão Social, preconceito e discriminação with tags , , , on 21/09/2009 by ehlsinore