Arquivo de Lula

Estado Policial contra os cidadãos e Polícia Federal usada pelo Governo contra desafetos, denuncia Romeu Tuma Jr., Secretário Nacional de Justiça no Governo Lula

Posted in Censura, Corrupção with tags , , , , , , , , , , , , , on 08/02/2014 by ehlsinore

Nesta semana Romeu Tuma Jr. foi ao Rio de Janeiro lançar o livro (escrito em parceria com o jornalista Claudio Tognolli) Assassinato de Reputações: um crime de Estado, de 557 páginas, pela Topbooks, que já teve vendido mais de sessenta mil exemplares vendidos desde fins de 2013, quando chegou às livrarias. O autor do livro, policial com 35 anos de serviço público, chefiou a Secretaria Nacional de Justiça de 2007 a 2010, durante a presidência de Lula, tendo sido afastado por supostas ligações com a então chamada mafia chinesa em São Paulo. No livro demonstra ter sido alvo de uma campanha orquestrada contra a sua reputação ativada pelas conclusões a que chegara na investigação do assassinato do prefeito Celso Daniel e por ter se revelado um obstáculo à aproximação entre o PT e o banqueiro Daniel Dantas (do Opportunity) em razão do combate que vinha promovendo contra tais esquemas de corrupção. No livro também indica o “caminho das pedras” ao promover diversas denúncias: a fábrica de dossiês forjados para prejudicar adversários, a instrumentalização político-partidária da Polícia Federal, a proximidade de Lula dos governos militares e de servir ao DOPS como informante, entre outras.

Roda Viva | Romeu Tuma Júnior | 03/02/2014

Lula preso com regalias exibe TuminhaSurpreende-me a falta de repercussão das denúnicas do livro na grande imprensa. É tudo, de fato, muito grave. Jornais impressos e televisivos, nada! Nenhuma reportagem. Era pra ter tomado conta deste país. Parecem dois mundos: o que faz o livro “bombar” e o que nem se dá conta de sua existência. Não se comunicam. Dois países, dois brasis, cada um em um mundo e entre eles, completamente distantes um do outro, uma distância de anos-luz.
E compreende-se a razão dos acólitos palacianos desejarem retirar Augusto Nunes do Roda Viva: afinal conseguem domesticar a grande imprensa privada mas, na tv pública ainda se resiste e se vê laivos de independência e altivez, “tamanha contradição exige sumário disciplinamento” devem pensar com os seus botões.
Que essa entrevista seja mais vista e nos acorde para o que vem acontecendo em nosso país.
Lula é levado preso para o Dops, em meio à greve de 1980 no ABC. É notável que o preso político esteja sem algema, fumando, ao lado da própria mulher, numa camioneta, bem acomodado na poltrona - em plena ditadura militar. O Dops tratava bem seus alcaguetes no movimento sindical.

Durante o Governo do Presidente Figueiredo (1979-85) – “Lula é levado preso para o Dops, em meio à greve de 1980 no ABC”: aos 34 anos, um preso político sem algema, fumando, bem acomodado na poltrona de trás, janela aberta. “O Dops tratava bem seus alcaguetes no movimento sindical” (www.polibiobraga.com.br).

Veja também trechos de entrevista dada ainda em abril de 1980 por Lula a Xênia Bier quando fala da Igreja Católica, de feminismo “de sovacão cabeludo” e de música (a sertaneja e Roberto Carlos): http://marligo.wordpress.com/2014/02/04/abril-de-1980-ele-lula-tinha-34-anos-ia-ao-gallery-fumar-e-beber-com-os-ricos-e-deu-entrevista-para-a-xenia-lembram-dela/

Tuminha Assassinato de ReputacoesComo adquirir o livro?

Nas livrarias? Está bem difícil, o mesmo se ouve e lê de norte a sul do país. Dou um doce a quem descobrir o porquê. O fato é que em virtude desta dificuldade e da grande procura, o livro passou a estar disponível para adquirir em versão eletrônica (e-book): basta clicar na imagem do livro ao lado e será redirecionado para a página onde poderá obtê-lo.

SOBRE PROTESTOS E BOATOS

Posted in Cidadania, Corrupção, Cultura, Inclusão Social, Mobilidade Urbana, Movimento Social, Mudança Social, Unidade / Pluralidade with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 21/06/2013 by ehlsinore

Tenho visto e lido, amigos à direita e à esquerda, falarem de golpe, de algo maquiavélico por trás dos protestos populares destes últimos dias. Aliás, isso começou na direita e, agora, está num crescendo à esquerda. Acusações na maioria mútuas, a direita acusando a esquerda de golpe, a esquerda fazendo o mesmo em relação à direita. Todos esses discursos podem até manifestar, da parte de alguns, um desejo íntimo, mas da maioria é resultado do clima de boataria que ocorre quando não se tem respostas seguras, quando não se compreende adequadamente o que ocorre.

É a incerteza diante da novidade que irrompe diante de nossos olhos e debaixo de nossos narizes. O não se saber explicá-la porque se teima em usar o mesmo esquema interpretativo surrado e gasto que não dá conta mais da realidade. Novidade que já se manifestava durante algum tempo, e muitos queriam não perceber ou desacreditar, mas cuja erupção acabou por ocorrer nestes dias.

Para mim, visceralmente centro-esquerda e que não sigo a cartilha ideológica de grupo algum, sou o meu próprio cacique e de mais ninguém, democrata radical que aposta na inventividade popular e nas formas de democracia direta, é apaixonante vivenciar o que estamos a viver nestes dias. A História é sempre surpreendente, volta e meia resolve aprontar com quem imagina saber de tudo e deixa de prestar atenção aos acontecimentos, chacoalhando a realidade social.

Sobre os boatos, cumpre esclarecer: as Forças Armadas estão léguas de distância de desejar irem além de sua missão constitucional e intervir nos rumos da política nacional. Entre outras razões, estão escaldadas da vez derradeira que assim procederam e do ônus que têm de carregar como se o regime implantado em 1964 fosse uma ação exclusiva militar e não resultado de amplo espectro social. Mais um detalhe: golpe algum num país da dimensão e da importância do Brasil seria engendrado sem apoio externo.

Ora, o cenário internacional não favorece adoção de regimes ditatoriais. Este é um dado fundamental: a comunidade internacional, muito ao contrário, contestaria qualquer rumo tomado por nosso país nessa direção. Num mundo globalizado isso conta mais que ontem. Observem, não vemos nenhuma grande liderança política externando receio de golpe, pois sabe não há qualquer possibilidade nessa linha. Fala-se tanto em contexto, mas este importante dado é deixado por quem embarca na canoa furada golpista.

A respeito da dinâmica do presente movimento, para quem não sabe: o povo não tem dono! O protesto é resultado de uma insatisfação generalizada com os rumos do país, de um grito preso na garganta que vinha sendo balbuciado em face do desprezo escancarado das nossas elites políticas pelas necessidades de nosso país e pela realidade do povo.

Os vinte centavos foram o estopim, grupinho algum é dono do movimento, incluindo em São Paulo capital o MPL, sigla pela qual atende o Movimento Passe Livre. Da mesma forma que os vinte centavos foram o estopim, na pauliceia o povo pegou carona na convocação deles e os ultrapassou. O MPL só apareceu porque a nossa classe política acostumada aos velhos esquemas e chavões precisava de uma liderança como interlocutora. Na internet a convocação surge de anônimos e isso incomoda os iluminados vanguardistas da esquerda, atemorizam os ressabiados da direita e inquieta as elites governantes que não sabem lidar com a realidade que vem reiteradamente desprezando.

Tais elites governantes tentaram jogar água na fervura com uma muita bem orquestrada redução das tarifas. Para azar delas, num ato falho, tropeçaram nos seus próprios pés ao fazerem um discurso de criança que, tendo de ceder a todo o resto da garotada, insatisfeita com o jogo imposto pelo “dono” da bola, faz birra e lança ameaças de cortes de gastos em áreas básicas.

E então, é sempre no bolso de quem mais paga impostos é que tem de mexer? Nesses anos todos os donos das empresas de transporte ganharam muito além da inflação e, agora, como se os coitadinhos fossem amargar prejuízo têm de ser ressarcidos pelos cofres públicos? E o povo apanha duas vezes, pagando através dos impostos tal socorro e ao deixar de usar esse mesmo imposto nas áreas sociais das quais somos tão carentes? Tudo não passou, ao tentarem posar n foto de bonitinhos,  Srs. Haddad, Paes, Alckmin e demais governantes de uma desavergonhada atitude maquiadora de quem faz e fará uso da caixinha dessas empresas em suas campanhas políticas.

A indignação é contra todos os três poderes, em todos os níveis, incluindo o governo federal intimamente associado à maioria dos executivos municipais e estaduais mancomunados com tais empresas e que, numa política economicamente nada sustentável e irresponsável, atulhou as ruas de automóveis, sem projeto algum para longo prazo.

Portanto é também um movimento de indignação contra o descaso eleitoreiro do governo Dilma-Lula e então, vem o partido da Sra. PresidentE querer ser governo sem ter o ônus de ser governo e posar de oposição nas ruas encenando não ter qualquer relação alguma com os desgovernos do país? E também é contra os governos ditos da oposição, pois participam desse mesmo esquema estrutural corrupto que precisa ser quebrado.

Independente de boas intenções individuais e de acertos pontuais que se possa achar no varejo entre governantes e políticos, a questão é no atacado, é estrutural. Independente da clareza, consciência e coerência que cada um dos manifestantes possa ter (não se pode exigir numa multidão de centenas de milhares que todos exibam o mesmo nível), é um grito que precisava ser dado por quem, de fato, é o dono da bola, o povo.

É a indignação contra essas estruturas e hábitos perversos disseminados entre as nossas elites, seja quais forem as suas cores político-partidárias e ideológicas. O que tudo isso resultará, só os acontecimentos dirão, mas este é o momento do grito de indignação de todo um povo que mal estava conseguindo se fazer ouvir por quem deveria ser o seu representante.

Ontem houve quem dissesse não ser de partido e que, se sentindo perdido como estava, chegava a sentir falta de um partido com comitê central para dizer a ele o que fazer… É este o pior caminho, o de abdicar de nossa autonomia! Ouse ver os sinais do novo, as brumas leves da paixão que vem de dentro, escute, liberte o seu intelecto, arrisque a pensar por si próprio e comparar com liberdade e isenção, sem amarras.

Aborto legalizado = proposta reacionária = política pseudossocial contra as classes marginalizadas e contra as mulheres pobres = política a favor de uma sociedade perversa e injusta!

Posted in Direito à Vida, João Paulo II with tags , , , , , , , , , on 26/01/2013 by ehlsinore

Por que legalizar o aborto no Brasil é tão prioritário?

Políticas de controle populacional em nosso país são do maior interesse de poderes estrangeiros e o governo federal se locupleta em se associar a tais interesses! Isso está documentado como se pode ver nos vídeos.

Jérôme Lejeune

Saiba mais sobre Jérôme Lejeune clicando na imagem.

« Os defensores do aborto dizem que o feto na barriga da mãe, especialmente nas primeiras semanas de gravidez, ainda não é uma pessoa, ainda não vive. Isso é uma distorção da verdade científica.»

« É preciso dizer as coisas com clareza, mede-se a qualidade duma civilização pelo respeito que ela tem pelos seus membros mais frágeis. Não há outros critérios de julgamento. »

«Se um óvulo fecundado não é por si só um ser humano ele não poderia tornar-se um,
pois nada é acrescentado a ele. »

(JÉRÔME LEJEUNE, 1926-1994, médico e geneticista francês descobridor da causa da síndrome de Down)

“O respeito à vida é fundamento de qualquer outro direito, incluídos os da liberdade.”

(Papa João Paulo II)

http://www.brasilsemaborto.com.br/

Para entender: por que diante da pressão do Governo Lula contra vários bispos, Papa veio a se somar à CNBB na defesa da Igreja

Posted in Bento XVI, Eleições Brasil 2010, Estado e Igreja, Liberdade Religiosa, Papado with tags , , , , , , , , , , , , , , , , on 30/10/2010 by ehlsinore

TENTATIVA DE GOVERNO DE INTERFERIR NA IGREJA CATÓLICA É UMA OFENSA À LIBERDADE RELIGIOSA E REVELA TENDÊNCIA DITADORIAL

Bispos devem lembrar fiéis que voto está destinado á promoção do bem comum, disse Bento XVI (L'Osservatore Romano)

Bento XVI recebeu os bispos do Regional Nordeste 5 da CNBB (correspondente ao Estado do Maranhão) às 11h em Roma (7h no horário de Brasília) da manhã de 5ª feira, 28 de outubro, por ocasião da visita que a cada cinco anos todos os bispos devem fazer ao Papa (a assim chamada visita ad limina Apostolorum), com o objetivo de expor o balanço das principais atividades da diocese ou região, acolher as sugestões e orientações e refletir sobre as opções e alternativas pastorais.

Durante a  visita o Papa rejeitou com firmeza as estratégias políticas que tentam fazer do aborto um direito humano.

“Seria totalmente falsa e ilusória qualquer defesa dos direitos humanos políticos, econômicos e sociais que não compreendesse a enérgica defesa do direito à vida desde a concepção até a morte natural. (…) Quando os projetos políticos contemplam, aberta ou veladamente, a descriminalização do aborto ou da eutanásia, o ideal

democrático é atraiçoado nas suas bases”.

Ao afirmar ser missão da Igreja fermentar a sociedade com o Evangelho, o Papa defendeu o dever dos bispos emitirem juízo moral também em matéria política quando “os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas o exigirem”, lembrando, porém, que “o dever imediato de trabalhar por uma ordem social justa é próprio dos fiéis leigos. (…) O vosso dever como Bispos junto com o vosso clero é mediato”.

O Bispo Emérito de Viana (MA), Dom Xavier Gilles de Maupeou d’Ableiges, fez o discurso de saudação ao Papa em nome do episcopado. O Pontífice, por sua vez, agradeceu o zelo e dedicação dos bispos, indicando os grandes problemas de caráter religioso e pastoral. “O quadro geral tem as suas sombras, mas tem também sinais de esperança”, disse.

Ao final deste post alguns trechos mais da fala do Papa Bento XVI, fala esta colocada, logo antes desses trechos, na íntegra em pdf, para ser baixada por quem desejar, assim como na íntegra também pode ser baixado o pronunciamento dos bispos do Maranhão.

Na mesma ocasião e com os mesmos objetivos coincidiu de se realizar a visita anual da Presidência da CNBB ao Papa (composta por seu presidente Dom Geraldo Lyrio Rocha, arcebispo de Mariana em MG, o vice  Dom Luis Soares Vieira, arcebispo de Manaus no AM e o secretário geral Dom Dimas Lara Barbosa, bispo auxiliar do Rio de Janeiro).

No dia seguinte (29), ainda em Roma, a Presidência lançou uma nota (a qual pode ser lida no site da CNBB), onde se diz: “Com alegria e gratidão acolhemos, em primeira mão, o discurso que o Papa Bento XVI dirigiu a esses nossos irmãos Bispos [os do Maranhão] e, através deles, a todo o episcopado brasileiro. Em seu pronunciamento, o Santo Padre confirmou a preocupação constante da Igreja no Brasil em defesa da vida, da família e da liberdade religiosa. O Santo Padre enfatizou o direito e o dever de cada Bispo, em sua Diocese, de orientar seus fiéis em questões de fé e moral, inclusive em matéria política, confirmando o que a CNBB havia recordado em documentos, notas e entrevistas anteriores. O mesmo direito e dever, de acordo com as normas canônicas, estende-se à própria Conferência enquanto organismo a serviço da comunhão episcopal e da pastoral orgânica em nosso país.”

Uma resenha das tentativas do Governo Lula de silenciar a Igreja nesta eleição

VIDE TAMBÉM:

CLIQUE “Denúncia: Governo Lula tenta interferir na CNBB para beneficiar Dilma” sobre o “pedido” do chefe de gabinete da Presidência da República, Gilberto Carvalho à CNBB e ao núncio apostólico pra “intervir” junto aos bispos contrários à candidatura de Dilma.

CNBB lança CF 2011 e responde à tentativa de ingerência do Gabinete da Presidência: não se pode silenciar a Igreja” quando a direção nacional  da entidade, apesar de não se manifestar sobre algum candidato em particular e apenas indicar critérios, insiste: “O bispo tem plena autonomia. Ele tem o direito e o dever, de acordo com sua consciência, de orientar os seus fiéis”, inclusive indicando candidatos aos integrantes de sua diocese.

O EPISÓDIO DOS PANFLETOS APREENDIDOS

ENQUANTO ALGUNS CEDEM ÀS PRESSÕES OUTROS RESISTEM

17/10/2010 18h24 – Atualizado em 17/10/2010 21h37

Bispo de Regional da CNBB defende divulgação de panfleto contra Dilma

‘Divulgação continua agora no segundo turno’, diz dom Benedito Beni.
Bispo diz que distribuiu 10 mil panfletos em 31 paróquias de Lorena.

Robson Bonin Do G1, em Brasília

O texto é legítimo e foi aprovado no dia 26 de agosto, em São Paulo. A comissão episcopal representativa do Regional Sul 1, que engloba diversos bispos, fez uma nota no dia 26 de agosto, pedindo que esse apelo aos brasileiros e brasileiras tivesse ampla divulgação e isso ficou a critério de cada bispo. A divulgação começou a ser feita antes do primeiro turno e continua agora, antes do segundo turno. De modo que é um documento 

A diocese de Lorena, conta com 14 cidades do vale histórico e tem como bispo Dom Benedito Beni dos Santos

legítimo assinado pela presidência do Regional Sul 1 em nome do conselho episcopal”

Dom Benedito Beni dos Santos, bispo diocesano de Lorena

O vice-presidente do Regional Sul 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Benedito Beni dos Santos, questionou neste domingo (17) a versão apresentada pelo presidente do regional, Dom Nelson Westrupp, segundo a qual o Regional Sul 1 não patrocina a impressão e a distribuição de folhetos a favor ou contra candidatos.

“O texto é legítimo e foi aprovado no dia 26 de agosto, em São Paulo. A comissão episcopal representativa do Regional Sul 1, que engloba diversos bispos, fez uma nota no dia 26 de agosto, pedindo que esse apelo aos brasileiros e brasileiras tivesse ampla divulgação e isso ficou a critério de cada bispo. A divulgação começou a ser feita antes do primeiro turno e continua agora, antes do segundo turno. De modo que é um documento legítimo assinado pela presidência do Regional Sul 1 em nome do conselho episcopal”, disse ao G1 dom Benedito Beni dos Santos, que é bispo diocesano de Lorena (SP).

Neste sábado [16/10/2010], uma gráfica no bairro do Cambuci, em São Paulo, informou que imprimiu 2,1 milhões de folhetos com o texto intitulado “Apelo a todos os brasileiros e brasileiras”, assinado pela Comissão em Defesa da Vida do Regional Sul 1 da CNBB. A candidata Dilma Rousseff classificou a distribuição desses folhetos como “crime eleitoral”.

Dom Benedito dos Santos confirmou que o panfleto foi distribuído pela comissão. “Recebemos diretamente da Comissão em Defesa da Vida”, disse. A área de abrangência do Regional Sul 1 da CNBB compreende todo o estado de São Paulo.

O texto relaciona o PT e a presidenciável Dilma Rousseff à defesa da legalização do aborto e recomenda “encarecidamente a todos os cidadãos brasileiros e brasileiras” que, “nas próximas eleições, deem seu voto somente a candidatos ou candidatas e partidos contrários à descriminalização do aborto”.

No sábado (16), o PT registrou boletim de ocorrência na polícia e fez uma representação à Justiça Eleitoral. Neste domingo, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ordenou à Polícia Federal a apreensão dos panfletos na gráfica.

Na nota divulgada neste domingo, o presidente do Regional Sul 1, Dom Nelson Westrupp, e demais bispos afirmaram que “não indicam nem vetam candidatos ou partidos e respeitam a decisão livre e autônoma de cada eleitor”.

‘Ampla difusão do documento’
Para dom Benedito Beni dos Santos, um dos integrantes da Comissão em Defesa da Vida do Regional Sul 1 da CNBB, que assina o documento “Apelo a todos os brasileiros e brasileiras”, distribuídos em igrejas católicas, a nota deste domingo contraria a decisão de “dar ampla difusão do documento”.

“Em nota do dia 26 de agosto, a presidência e a comissão representativa dos bispos do Regional Sul 1 da CNBB, em sua reunião ordinária, acolheram e recomendaram a ampla difusão do ‘Apelo a todos os brasileiros e brasileiras’. Assina a nota o presidente do Conselho Episcopal dom Nelson Westrupp. Então, causou a mim estranheza que essa nota tão clara seja agora, de certo modo, considerada como não autêntica”, disse dom Benedito dos Santos.

O bispo diocesano de Lorena diz que ficou “a critério de cada bispo” do Regional Sul 1 a divulgação do documento em forma de panfleto.

Apenas em Lorena, segundo ele, foram distribuídos 10 mil panfletos nas 31 paróquias da diocese. “Distribuímos para 31 paróquias da diocese e continuamos distribuindo no segundo turno. Estamos sendo fiéis ao que o representativo do Regional 1 pediu”, justificou.

O bispo chama de “oportunismo eleitoral” a carta apresentada pela candidata do PT na qual afirma ser contra o aborto e explica a orientação repassada aos fiéis.

“O documento cita o nome dela [Dilma] como aquela que aprovou o 3º Programa de Direitos Humanos do Governo. A nota não aconselha a votar nela. É uma recomendação de não votar no Partido dos Trabalhadores e em todos os candidatos favoráveis ao aborto”, declarou.

Veja abaixo reprodução do folheto distribuído pelo Regional Sul 1 da CNBB:

Panfleto contra Dilma com texto do Regional Sul I da CNBB. (Foto: Reprodução)

Discurso em pdf dos bispos do MA ao Papa, na visita ad limina em 28out2010

Íntegra do discurso do Papa aos bispos do Nordeste 5 em 28out2010 (em pdf)

TRECHOS DO PRONUNCIAMENTO DO PAPA AOS BISPOS QUE LHE VISITAVAM (entre parêntesis link para acessar o documento ao qual faz referência)

(…) o dever imediato de trabalhar por uma ordem social justa é próprio dos fiéis leigos, que, como cidadãos livres e responsáveis, se empenham em contribuir para a reta configuração da vida social, no respeito da sua legítima autonomia e da ordem moral natural (cf. Deus caritas est, 29).

(…) Quando, porém, os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas o exigirem, os pastores têm o grave dever de emitir um juízo moral, mesmo em matérias políticas (cf. Gaudium et Spes, 76).

(…), seria totalmente falsa e ilusória qualquer defesa dos direitos humanos políticos, econômicos e sociais que não compreendesse a enérgica defesa do direito à vida desde a concepção até a morte natural (cf. Christifideles laici, 38).

Quando os projetos políticos contemplam, aberta ou veladamente, a descriminalização do aborto ou da eutanásia, o ideal democrático – que só é verdadeiramente tal quando reconhece e tutela a dignidade de toda a pessoa humana – é atraiçoado nas suas bases (cf. Evangelium vitæ, 74).

(…) Portanto, caros Irmãos no episcopado, ao defender a vida “não devemos temer a oposição e a impopularidade, recusando qualquer compromisso e ambiguidade que nos conformem com a mentalidade deste mundo” (ibidem, 82).

(…) Além disso, para melhor ajudar os leigos a viverem o seu empenho cristão e sócio-político de um modo unitário e coerente, é “necessária — como vos disse em Aparecida — uma catequese social e uma adequada formação na doutrina social da Igreja, sendo muito útil para isso o ‘Compêndio da Doutrina Social da Igreja'” (Discurso inaugural da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe, 3).

(…) Deus deve “encontrar lugar também na esfera pública, nomeadamente nas dimensões cultural, social, econômica e particularmente política” (Caritas in veritate, 56). Por isso, amados Irmãos, uno a minha voz à vossa num vivo apelo a favor da educação religiosa, e mais concretamente do ensino confessional e plural da religião, na escola pública do Estado.
(…)

Desmontando a desmontagem da edição do Jornal Nacional

Posted in Eleições Brasil 2010 with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , on 23/10/2010 by ehlsinore

O tempo na tv é sabidamente curto, editar gravações é procedimento de qualquer jornalístico e isso necessariamente não significa uma intenção maldosa.
É preciso examinar caso a caso.
Observemos o caso presente, o da suposta “Bolinhagate“.

O vídeo da análise da edição do JN apenas e unicamente mostra que Serra não reagiu imediatamente ao que jogaram nele, e qual o problema disso?
Quantas vezes somos alvejados com algo e só após algum tempo reagimos ao impacto? Primeiro um incômodo e depois se faz sentir, só com o tempo, a dor ou qualquer outro efeito.

Onde uma reação retardada desqualifica alguém ter sido alvejado com objeto que o atordoe?

Diz o autor da análise da edição do vídeo abaixo exibido que não haveria objeto algum e sim um borrão da imagem, um borrão? Que borrão super conveniente, no caso claro de ser inintencional, pois aparece justamente alguns instantes antes de Serra levar a mão à cabeça.

No caso de ser intencional a conclusão é de ser um borrão burro, pois podia ter sido posto imediatamente antes de Serra levar a mão à cabeça, assim não levantaria o tipo de dúvida exibida pelo analista da edição do vídeo.

E, enfim, convenhamos, mais grave que esse alvejamento é o fato de, numa caminhada legítima de um candidato em campanha pela zona oeste, surgir um outro grupo, não a própria candidata adversária em agenda coincidente, mas um outro grupo com objetivo vistoso de antagonizar Serra. Nesse

Sandro de Oliveira Cezar, o Sandro "Mata Mosquito", ao lado do ministro Paulo Bernardo (abril de 2008). Foto: José Ribamar de Lima (no blog do SintSaúde RJ).

grupo, por exemplo, podia se ver, sem sombra de dúvida, o sindicalista Sandro Alex de Oliveira Cezar, conhecido como Sandro “Mata Mosquito”, candidato derrotado a deputado estadual pelo PT  nessas eleições, incitando quem o acompanhava a hostilizar a caminhada de Serra.

Sandro é também secretário geral do Sindicato dos Trabalhadores no Combate às Endemias e Saúde Preventiva, o Sintsaúde RJ, e secretário de comunicação da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Seguridade Social (CNTSS) para o triênio 2010-13, ambos filiados à Central Única dos Trabalhadores (CUT).

 

Aparelhamento: basta uma mera visita (clique na imagem) ao blog oficial do referido sindicato para se constatar o uso de sua estrutura, que seria de todos os trabalhadores no setor, para apoiar a candidatura pelo PT de Dilma Rousseff. Pode-se ver, entre outros, post de 18/10 convocando para uma atividade pró Dilma e em outro de 21/10 uma nota à imprensa assinada por Sandro Cezar, enquanto secretário geral do sindicato, atacando a candidatura de José Serra à presidência da República.

Em meio à pancadaria e bandeiradas, Serra teve de se refugiar numa loja. Como alguém pode ter controle em confusão de rua? Os manifestantes carregavam cartazes, gritavam e atiraram pedras na van onde estava a

Mariana Gross

comitiva de Serra. Uma jornalista, Mariana Gross da Globo, foi atingida. O que se deveria evitar é o começo, que galeras organizadas partam para o confronto a candidatos no seu livre ir-e-vir em campanha.

Onde estamos? Como a campanha foi chegar a esse ponto? Que tumultos assim não se transformem em hábito, pois estaríamos cedendo a táticas de intimidação fascista.

Reveja a agressão na íntegra:

Detalhes do incidente:  http://www.senado.gov.br/noticias

E também: fascismo de militantes petistas recebe apoio de Lula e Dilma!

O médico Jacob Kligerman, renomado oncologista, que atendeu Serra após a agressão e acusado por Lula de ter participado da montagem de uma farsa,

Clique na imagem e leia uma breve biografia do médico Jacob Kligerman na página do INCA (Instituto Nacional do Câncer) mantida pelo Ministério da Saúde.

diz já ter acionado o seu advogado para intimar uma retratação da parte de Lula,  mas espera que antes disso o presidente da República peça desculpas  pela ofensa a ele cometida:

“Aquilo não foi uma farsa, aquilo foi um atendimento médico. Eu senti a minha dignidade ofendida, pois eu estava praticando um ato médico. Tudo aquilo que eu disse no dia do acidente ocorreu. Eu quero uma retratação, pois minha dignidade médica foi ferida”, disse (leia detalhes de entrevistas por ele dadas em O Globo e Último Segundo).

Política ambiental: Marina, Dilma e o Governo Lula

Posted in Eleições Brasil 2010, Meio Ambiente e Ecologia with tags , , , , , , , , , on 11/10/2010 by ehlsinore

Míriam Leitão fala sobre a conflitiva relação entre as agendas para o Brasil de Marina Silva e de Dilma Rousseff no Governo Lula, a atuação dos presidenciáveis na Conferência de Copenhague sobre o clima, os obstáculos impostos por Dilma a implementação de uma política de meio ambiente inovadora e sustentável e o testemunho de Carlos Minc, que sucedeu Marina Silva no ministério, além dos desdobramentos dessas questões no processo eleitoral.

Coluna no GLOBO: Míriam Leitão, 10/X/10.

Clima na eleição

Em Copenhague, uma jornalista estrangeira quis saber: “É verdade que os três candidatos a presidente estão aqui na Conferência do Clima?” Confirmei, e ela perguntou: “Isso significa que esse assunto no Brasil tem prioridade?” Disse que não era bem isso. A candidatura de Marina Silva levou o presidente Lula a indicar Dilma chefe da delegação, e fez José Serra ir também para Dinamarca.

Essa foi a primeira mudança provocada por Marina. Dentro do governo, o ministro Carlos Minc vinha brigando para que o Brasil assumisse metas de redução de gases de efeito estufa. Antes dele, Marina tinha defendido essa posição, mas fora sempre derrotada pela coalizão Casa Civil-Itamaraty e Ciência e Tecnologia. O Brasil tinha ficado preso na posição envelhecida de que só os velhos emissores de gases estufa tinham que ter metas. A posição nova que o Ministério do Meio Ambiente defendia é que o Brasil tinha virado um grande emissor e que, como a maior parte das nossas emissões vem do desmatamento, a mudança de posição seria antes de tudo boa para nós mesmos. Além disso, daria ao Brasil prestígio internacional.

A então ministra Dilma Rousseff era uma das pessoas que se opunham às metas. Ela achava que isso impediria o crescimento do Brasil. Os países emergentes, não integrantes do Anexo I do Protocolo de Kyoto, não tinham que se comprometer com meta alguma. Os defensores de que o Brasil tivesse metas argumentavam que seria apenas uma redução do ritmo de aumento das emissões, uma espécie de corte no mercado futuro dos gases poluentes. Houve um momento, numa reunião para fechar a posição brasileira, em que Minc e Dilma entraram numa discussão lateral. O presidente quase suspende as decisões sobre o assunto. Mas Lula acabou decidindo pela posição de Minc.

Houve um temor dentro do governo de que a agenda ambiental ganhasse muito peso com a candidatura de Marina e isso tirasse votos de Dilma Rousseff, que sempre foi identificada como adversária da agenda verde.

Não vou guerrear contra os fatos. Depois que a Marina anunciou sua candidatura ficou mais fácil ganhar as brigas dentro do governo — admitiu Carlos Minc numa conversa na semana passada.

Foi para tentar mudar a imagem de antiambientalista que Dilma foi enviada a Copenhague, àquela altura já com as metas de redução de gases de efeito estufa. José Serra, que estava se adiantando na aprovação de uma Lei de Mudanças Climáticas em São Paulo, foi junto com um grupo de indústrias que tem começado a entender que sem a adesão a novos comportamentos na questão ambiental pode perder mercado internacional.

Foi assim que o Brasil chegou a Copenhague com seus três candidatos. A pouca intimidade de Dilma com a agenda, e o fato de ela ter o temperamento que tem, produziu atritos fortes com assessores do Ministério do Meio Ambiente e aquele famoso ato falho: “O meio ambiente é um obstáculo ao desenvolvimento sustentado”, disse ela numa sala lotada de 700 pessoas em Copenhague.

Na BR-319, que contei aqui rapidamente na coluna dias atrás, a grande briga em torno da estrada foi travada por Minc, que defendia que, em vez de refazer a estrada dos militares, melhor seria se fossem feitas obras que garantissem uma hidrovia. Para alavancar sua candidatura ao governo do Amazonas, Alfredo Nascimento, então ministro dos Transportes, exigiu que fosse feita a estrada. Numa reunião entre o presidente Lula, a então ministra Dilma Rousseff e Minc, Nascimento disse que sem a estrada não apoiaria a candidatura de Dilma. A propósito: ele acabou perdendo a eleição. Minc fechou questão. Só aceitaria dar a licença prévia se antes fossem instaladas 28 unidades de conservação e parques nacionais ao longo dos mais de 400 quilômetros que são de floresta. Ele conta hoje que fez isso pelo exemplo da BR-163.

— Marina deu licença prévia para a BR-163 e só depois negociou as unidades de conservação e parques. O desmatamento na área triplicou. Eu não a culpo. Na verdade, aprendi com essa experiência que tinha que garantir antes da licença prévia. Queria a implantação antes. Foi uma briga de um ano e dez meses, mas ganhei. O Exército está lá para começar a implantação da estrutura dos parques — contou Minc.

Com os institutos dando nas pesquisas eleitorais que Marina tinha ficado estagnada na altura dos 10% e que Dilma venceria no primeiro turno, o assunto sumiu da agenda de discussões da campanha. Naquele discurso de Serra enviado como programa eleitoral havia apenas uma frase sobre meio ambiente; Dilma se limitou a repetir superficialidades sobre a questão. Ela nunca quis limites ambientais aos projetos que alavancou. O governo aprovou uma lei de mudanças climáticas estranha, mas engavetou na Casa Civil. Nada foi regulamentado.

A votação forte da candidata verde elevou novamente o tema. Só que agora há uma compreensão maior, da imprensa e do país, de que a sustentabilidade não é uma palavra oca, mas sim uma nova forma de estruturar o projeto econômico. O assunto voltou ao debate. Uma das exigências do Partido Verde é de revisão do Código Florestal, contra o qual Marina Silva se bateu fortemente no Senado e perdeu. O Código, ao ser aprovado, teve votos dos dois lados em disputa agora no segundo turno. Mas a causa ambiental bate de frente principalmente com os métodos Dilma de aprovação de obras. Ela deixou testemunhos e provas suficientes de que vê com desprezo e obstáculo a agenda ambiental e climática.

[Obs.: os grifos e destaques são nossos]

Lula é um mito, mas mitos e muros são derrubados, diz Itamar Franco

Posted in Eleições Brasil 2010 with tags , , , , , , , , , , , , on 11/10/2010 by ehlsinore

Um dos articuladores do voto “Lulécio” em 2002, a favor do petista Lula para a Presidência e do tucano Aécio Neves para o governo de Minas, o ex-presidente da República Itamar Franco (1992-1994) agora critica duramente Luiz Inácio Lula da Silva e diz que ele tem de parar de falar “nunca antes neste país”: “O Lula não é dono do Brasil e não inventou o Brasil”.

Segundo ele, “Lula não é democrata”: “Um presidente que vai a Minas dizer que não pode ter um senador de oposição, que zomba da imprensa, que zomba da Constituição, não é democrata.”

Folha – Por que Serra e não Dilma?
Itamar Franco – Porque ela tem um discurso monotemático. Se fosse uma estudante, seria uma aluna boa para decorar as lições, não para fazer cálculos. Ela vem com um discurso preparadinho que o presidente ensinou. Já o Serra tem pensamento próprio. Mas, se não mudar o discurso, vai perder.

Mudar em quê?
Tem de parar de elogiar ou de ser condescendente com o Lula. Imagine o cidadão que está em casa ouvindo isso: “Puxa, se o candidato da oposição elogia tanto o presidente, para que mudar?”

E o argumento que Lula tem 80% de popularidade e não dá para bater nesse muro?
Ele tornou-se um mito, mas mitos e muros também são derrubados.

Não foi o sr. que criou o voto “Lulécio” de 2002?
Procurado pelo Zé Dirceu, desisti da disputa e apoiei o Aécio para o governo e o Lula para presidente. Daí surgiu o voto Lula-Aécio.

O que aconteceu depois?
Sabe o que o Lula fez em 2006? Foi na minha terra, levou todo mundo e subiu no palanque até com o Celso Amorim, que também foi meu chanceler, para falar mal de mim. Fiquei triste. Agora o Lula fez uma campanha muito violenta em Minas contra a gente de novo, uma campanha que raiou o imoral, agredia os princípios democráticos. Bem, um presidente que faz no Senado o que ele faz, que nem presidente militar fez…

O que foi imoral?
Teve nove pessoas presas, distribuindo santinhos apócrifos com as maiores aleivosias contra nós. Saíam de onde? De um comitê do PT.

(…)

Como vê o segundo turno?
Em toda a minha vida só vi um homem transferir maciçamente os votos do seu partido: Leonel Brizola para Lula, no segundo turno de 1989. Então, não sabemos. Depende muito da Marina e dos votos dela, mas esse eleitorado é muito disperso e múltiplo.

A Dilma saiu com 14,3 pontos na frente. É possível virar?
Isso dá uns 13 milhões de votos e, mais um pouquinho, Serra chega lá. Possível é, e já vimos viradas duas vezes em Minas. Mas ele precisa ser mais afirmativo no campo social, econômico, político.

Como enfrentar Lula?
Ele tem de mostrar que o Lula não é dono do Brasil e não inventou o Brasil.

A charge é referente à visita do Papa Bento XVI ao Brasil em maio de 2007. Fonte: http://blogperolas.spaces.live.com

Do jeito que as coisas vão, o Lula vai dizer que quem abriu os portos foi ele, não d. João 6º. Tudo é ele, é ele. Por que não dizer o que o Real fez pelo país? Por que não dizer que o pãozinho custava um preço de manhã, outro preço à tarde, outro preço à noite?

Como está a sua relação com Fernando Henrique Cardoso?
Não está. Mas se eu defendo escondê-lo? Não defendo. Apesar das minhas desavenças com ele, acho um absurdo escondê-lo. Se não aparece, batem nele de qualquer jeito. Então ele deve aparecer, rebater, xingar.

Como o sr. imagina um Senado com três ex-presidentes?
Eu fico olhando o Sarney dizer que o melhor presidente que ele já teve foi o Lula, e penso: sim, senhor, hein, presidente Sarney?

E o Collor?
Prefiro falar da chuva.

Que Senado vai encontrar?
Um Senado subjugado pelo Executivo. A interferência do presidente é a todo instante, em tudo, até em questões internas. Uma das coisas mais sagradas do Congresso são as CPIs. Pois eu era de oposição e fui presidente da CPI das “polonetas” no governo Geisel e depois da CPI das diretas. E, agora, o presidente diz que não pode ser e não é. Onde já se viu isso? O Senado diz amém, amém.

Em 2011, a bancada lulista vai ser um rolo compressor. Como furar o bloqueio?
Fácil não é, mas não é impossível. A ditadura durou 20 anos, mas ela se tornou frágil e caiu. Hoje, se há essa ditadura que o PT quer impor ao país, se acha que só ele sabe o que é bom para o país, é preciso reagir. Quando o Lula diz que “nunca antes neste país”, eu penso: o que que é isso? Como é que o sr. Sarney aceita isso? Então, ninguém fez nada? Ao longo do processo, cada um de nós, o Sarney, eu, o Fernando Henrique, foi passando o bastão.

(…)

O Lula não é democrata?
Não, basta ver as ações dele todos os dias. Um presidente que vai a Minas dizer que não pode ter senador de oposição, que zomba da imprensa, que zomba da Constituição, não é democrata.

Qual sugestão o sr. daria a Lula para o pós-Presidência?
O Lula gostou do poder, mas ele vai ver o que é bom depois, quando deixar o poder. Não se pode acostumar com os palácios, os aviões, os helicópteros, com o sujeito que carrega a sua mala, porque isso não é o dia a dia do homem simples, que nós todos somos. O Lula deve saber que, um dia, tudo isso acaba. O poder não é eterno. Nós já tivemos no Brasil um grande presidente que era também o “pai dos pobres” e que depois foi derrubado, não é?

(Entrevista completa: Eliane Catanhêde, colunista da Folha in Folha de S. Paulo,10/10/2010, 08h46)